Política internacional não é o mote desta comunidade, mas a lamentável situação em que se encontra a Venezuela e o absurdo apoio da esquerda tupiniquim a Nicolás Maduro merecem algumas linhas ― que eu convido o leitor a acompanhar, se tiver estômago para tanto.

Venezuela começou a se transformar numa ditadura com a eleição de Hugo Chávez, e a situação se agravou com o advento de Maduro e seus discursos inflamados, ao estilo bolchevique de outrora. Na sequência, vieram o empoderamento do Estado, o cerceamento das liberdades individuais, as estapafúrdias tentativas de conter a inflação e a utilização dos meios militares para a instauração de uma ditadura socialista-bolivariana. Quando a cotação do petróleo despencou, o dinheiro minguou e alimentos e remédios escassearam, resultando na escalada autoritária do tiranete no afã de conter as revoltas populares ― para, segundo ele, preservar “conquistas sociais” que já nem existem mais!

De acordo com o filósofo e escritor Pedro Henrique Alves, a ditadura se sumariza basicamente na repressão ao contraditório ― que leva à ausência de uma oposição política organizada e livre no campo social ― e no cerceamento da opinião pública livre, seja nas manifestações públicas de rua, seja nas expressões políticas, tanto através dos poderes constitucionais quando da mídia.

Nicolás Maduro ignora a tripartição dos poderes, governa por decreto, controla o Judiciário e o Congresso com mão de ferro e é useiro e vezeiro em descumprir contratos, inclusive com a Petrobras ― atitude inaceitável, mas que os governos Lula e Dilma aceitaram docilmente. Aliás, Lula jamais condenou a ditadura cubana; quando da morte de Fidel, disse ele em seu pronunciamento: “o maior de todos os latino-americanos, o comandante em chefe da revolução cubana, meu amigo e companheiro”. Anos antes, quando Chávez morreu, o petralha gravou um vídeo para a campanha eleitoral de seu sucessor, a quem se referiu como “o presidente com que Chávez sempre sonhou”. Eleito, Maduro retribui o afago: “Lula, para nós, também é um pai” (talvez por isso os venezuelanos chamem seu presidente de filho da puta).

É certo que atravessamos a maior crise político-econômica da nossa história e que a situação recomenda dar atenção ao nosso quintal em vez de palpitar no do vizinho. Mas não há como negar que o governo de Maduro é uma macabra ditadura, nem como aceitar que imbecis como a senadora bolivariana corrupta Gleisi Hoffmann ― que Lula promoveu a presidente nacional da sua facção criminosa― e seus acólitos vermelhos apoiem o criminoso venezuelano, como se viu em meados do mês passado, durante o encontro comunista "Foro de São Paulo".  Aliás, o PSOL também defendeu publicamente a constituinte lunática com Maduro empalou o povo venezuelano, sem qualquer legitimidade, na base do decreto e com o apoio de sua espúria militância.

O apoio patético da patuleia tupiniquim a tamanho absurdo comprova o quanto a esquerda latino-americana é retrógrada, antidemocrática e ditatorial. Ao apoiar a ditadura venezuelana, o PT ― carro chefe dos partidos “de esquerda” tupiniquins ― deixa claro que seu plano para o Brasil não seguiria pelo viés democrático durante muito tempo, e só não derivou para o bolivarianismo porque nossas instituições ainda possuem sustentação democrática e princípios morais conservadores e contrários aos planos socialistas.

De acordo com o filósofo e escritor Pedro Henrique Alves, “para aqueles que não defendem e nem propagam ideologias como doutrinas religiosas, para aqueles que não se deixam cegar pelo evangelismo sindical, era mais do que evidente que a esquerda brasileira estava ― e está ― conchavada às ditaduras latino-americanas; o grande problema é que o apoio tolo desses partidos apenas deixaram os holofotes ainda mais focados naquilo que outrora eles tentavam esconder a todo custo, ou seja, que a esquerda bolivariana é antidemocrática e usa da ditadura como modus operandi de sua ideologia. O que outrora os opositores conservadores e liberais faziam ao mostrar as intenções ditatoriais da esquerda em suas colunas jornalísticas, agora a própria esquerda faz ao revelar sua face ditatorial de governança política. Agora podem ser comprovadas, pelas próprias palavras desses partidos, suas intenções e convicções políticas; sem mais cortinas de fumaça ou palavrórios vadios, a esquerda mostra no que acredita e como age para conseguir”.

Não ser de esquerda, hoje, é uma questão de sensatez. Mas existe tanta sensatez nas toupeiras vermelhas quanto carne e o papel higiênico nos supermercados venezuelanos. Tanto é que, em sua miopia insana, essa choldra vê o impeachment da ex-presidanta petralha como golpe, e a “constituinte” de Maduro como a mais pura expressão da democracia, a despeito de o tiranete se perpetuar no poder no melhor estilo bolchevique, usando a força militar para destruir a oposição e matando populares que ousam se insurgir contra ele.

Tudo isso é visto com a maior normalidade pelos partidos socialistas brasileiros, que chamam alguém de fascista por apoiar a reforma da previdência ou por não endossar a causa do aborto. Com gente assim na política, este país não pode mesmo dar certo.