A maioria de nós está apreensiva com a falta de alternativas para a sucessão presidencial, e não sem razão. Todavia, mais importante que a descobrir “um nome” é a sociedade criar meios de controlar o governo, já que não elegemos anjos, mas pessoas de carne e osso.

É fato que já exercemos algum controle, mas apenas em relação a grandes temas, pois tratamos como normais e cotidianas as inúmeras aberrações que colocam a nação de cabeça para baixo.

Um bom exemplo é o recente pedido oficial de Geddel Vieira Lima para saber o nome e o telefone de quem o denunciou ― felizmente, a procuradora-geral Raquel Dodge negou esse absurdo ― que, se acolhido, daria início a uma prática inusitada: caso a polícia revelasse o nome e o endereço do delator, estaria quebrando o anonimato de informantes e permitindo que eles fossem assassinados (ou alguém acha que Geddel queria apenas tomar uma cervejinha com o dito-cujo?). Mas só o fato de o pedido ter existido e circulado como uma notícia normal revela como anda o Brasil.

Enquanto isso, a vida continua. Engolindo um sapo aqui, outro acolá, acostumamos nosso estômago para os grandes batráquios de fim de mandato. Um deles, que está sendo urdido nos bastidores do Congresso e no próprio STF é a derrubada da prisão em segunda instância ― que tanto os parlamentares quanto os ministros do Supremo veem como saída para neutralizar não só a Lava-jato, mas todas as operações que envolvam políticos corruptos. CONTINUE LENDO EM http://fernandomelis.blogspot.com.br/2017/11/a-sociedade-brasileira-e-o-elefante-de.html