O Congresso Nacional ficou às moscas depois que a divulgação da Lista de Fachin caiu como uma bomba sobre os parlamentares ― o que não deixa de ser curioso, pois a seleta confraria de delatados já sabia que sua batata estava assando, e os nomes dos envolvidos, com raríssimas exceções, já eram de conhecimento público devido aos vazamentos que vinham ocorrendo, desde a homologação da “Delação do Fim do Mundo” pela ministra Carmem Lucia.

Na verdade, o que a (tão esperada por uns e tão temida por outros, dependendo do lado do balcão em que se está) suspensão do sigilo sobre os inquéritos nos dá é a exata dimensão do envolvimento de cada um dos 98 investigados ― ao todo, Rodrigo Janot havia encaminhado 320 pedidos ao Supremo, que resultaram em 83 aberturas de inquérito, 211 declínios de competência para outras instâncias da Justiça e 7 arquivamentos.

Sem nomes inesperados, o que chama a atenção é a proporção de senadores: 24, quase 30% do total de 81, contra 39 deputados, menos de 10% dos 513. Somados, esses alvos são mais do que suficientes para paralisar o Congresso, inclusive a votação da reforma da Previdência.

A lista atinge todo o mundo político, até os presidentes da Câmara e do Senado ― Rodrigo Maia e Eunício Oliveira, respectivamente. Nem Michel Temer escapou, embora ele não deva ser alvo de um inquérito devido à “imunidade provisória” que o cargo lhe confere. Sobrou para todo mundo, de próceres petistas que já haviam sido condenados no mensalão e no petrolão ― como José Dirceu e José Genoino ― aos presidentes dos principais partidos políticos: Aécio Neves, do PSDB, e Romero Jucá, do PMDB, encabeçam o ranking com 5 inquéritos cada.

Impressiona mesmo é a cantilena dos denunciados, que, invariavelmente, repudiam as acusações. Ninguém achava que eles assumiriam publicamente os malfeitos que lhes são imputados, naturalmente, mas, nessa hora, independentemente do partido a que pertencem, todos são discípulos aplicados do grã-mestre ― a autodeclarada alma viva mais honesta da galáxia, que, somados aos 5 processos em que já era réu, os novos pedidos de inquérito elevam o placar a 12. E, cá entre nós, a tese esposada pelos investigados, de que os delatores mentiram deslavadamente, não convenceria nem a crédula Velhinha de Taubaté!

De acordo com o procurador Deltan Dallagnol, desde o início da Lava-Jato, há 3 anos, nenhum delator mentiu. Alguns omitiram, mas ninguém mentiu. E nessa coisa imensa da Odebrecht, nem o maior ficcionista imaginaria uma história assim, com o esquema detalhado do jeito que foi. Impossível sustentar a tese da mentira.

Há uma clara evidência de que nosso sistema político, do jeito que está montado, acabou. Temos que começar tudo de novo, mas como fazê-lo com o Congresso que aí está? Ou com o próximo que será eleito?

A saída aponta para uma Assembléia Nacional Constituinte, composta por um time suprapartidário que não tenha parlamentar e seja impedidos de se candidatar nas próximas eleições. Outra solução, bem mais simples, seria os eleitores simplesmente não comparecerem às urnas em 2018. Em peso. Mas isso está fora de cogitação. Mais fácil seria os porcos criarem asas.