No afã de manter o Estado inchado, inoperante e incompetente ― e assim continuar mamando em suas tetas ―, políticos e seus apaniguados se levantam contra as desestatizações propostas pelo atual governo. Não que esse governo mereça aplausos, longe disso, pois perdeu a credibilidade com a delação da JBS e afundou de vez quando torrou nosso dinheiro para se esquivar da “flechada” de Janot.

Lamentavelmente, Michel Temer vem se mostrando ainda mais propenso que sua predecessora, a inefável anta vermelha, a se render aos abusos das marafonas do Congresso, além de mais deslavado e cínico no abraço amigo à corrupção. Mas está no caminho certo com as reformas, notadamente a da Previdência, sem o qual a nação não tarda a se transformar num gigantesco Rio de Janeiro. E com seu pacote de privatizações ― além da Eletrobras, estão na lista 14 aeroportos, 11 blocos de linhas de transmissão de energia elétrica, 15 terminais portuários, rodovias e empresas públicas. É isso ou aumentar ainda mais a já escorchante carga tributária.

O problema é que a irresponsabilidade com os gastos continua. E de nada adianta abrir ainda mais as torneiras sem antes tampar o ralo. A conta das despesas, que deveria ser de subtração, virou multiplicação ― e não dá sinais de que vai melhorar. Isso sem falar na crise moral, que se agravou com o show de hipocrisia que acabou barrando a investigação da denúncia de corrupção contra sua insolência o presidente da Banânia.

Voltando à privatização da Eletrobras, beira o ridículo a falação da patuleia, respaldada no discurso abilolado da igualmente abilolada anta vermelha ― que quase quebrou a empresa ao reduzir na marra as tarifas de energia como medida populista para se reeleger, e agora alardeia o perigo de se “abrir mão da segurança energética e deixar o país sujeito a apagões, como aconteceu em 2001”. Dilma, a intolerável, afirma que a medida irá comprometer a geração de energia e encarecer o fornecimento para o consumidor. A propósito, disse Bruno Araújo, atual o ministro das Cidades (e investigado na Lava-Jato, porque, ao que parece, não escapa um!): “de falta de luz a ex-presidente entende, até porque sua gestão foi um verdadeiro apagão para o Brasil”. Aliás, vale a pena reler um trecho do fantasioso pronunciamento feito à nação pela calamidade em forma de gente, em 2013, que eu reproduzi na postagem anterior.

O estelionato eleitoral promovido petralha com a ajuda de marqueteiros renomados ― que hoje são hóspedes ilustres do sistema penitenciário brasileiro ― funcionou com boa parte dos eleitores, mas Dilma foi abatida, em seu patético voo de galinha, 1 ano, 4 meses e 12 dias depois do início de seu funesto segundo mandato. Pena que seu sucessor não cumpriu o que prometeu, embora tenha dado início às reformas de que o país tanto precisa e renovado as esperanças dos mais otimistas ― pelo menos até a delação da JBS mostrar que o rei não só estava nu, mas escondia caninos vampirescos. Seu mandato tampão, se não for abreviado por nova denúncia de Janto, deverá terminar melancolicamente. Temer, que queria entrar para a história como o cara que recolocou o país nos trilhos do crescimento, terá sua gestão marcada pelo crescimento da própria impopularidade, do repúdio à classe política como um todo, do déficit fiscal, do desemprego, da corrupção e da apatia do povo, que já nem tem mais ânimo para bater panelas ou sair às ruas para protestar.         

Voltando à vaca fria, o anúncio do pacote de privatizações foi bem recebido nos meios econômicos ― num único dia, as ações da Eletrobras subiram 50%, mas a patuleia ignara insiste em dizer que isso não passou de pirotecnia, que o que é bom para o mercado financeiro não é necessariamente bom para o país. Para essa caterva, bom mesmo seria a volta do PT ao Planalto ― o que não deve acontecer, até porque a sentença que condenou Lula, o incorrigível, a 9 anos e 6 meses de cadeia deverá ser ratificada pelo TRF-4 antes das eleições do ano que vem. Quanto à Eletrobras, chama a atenção o fato dessa gentalha traçar um paralelo com os “enormes prejuízos” causados pela privatização da Telebras. Que prejuízo, cara-pálida?

Até a virada do século, era preciso aderir a um famigerado “plano de expansão”, vinculado à compra de ações do execrável Sistema Telebras, para se candidatar a uma linha telefônica. Além de caro, o serviço era de péssima qualidade. O prazo para a instalação (24 meses) raramente era cumprido, o que fazia a felicidade dos cambistas que atuavam no mercado negro de telefones ― a linha telefônica era considerada um “bem” e tinha de ser declarada no IR.

Observação: Na cidade marajoara de Cachoeira do Arari, no Pará, dez munícipes que aderiram ao plano de expansão esperaram 15 anos pela instalação das linhas. Alguns nem tiveram o gostinho de fazer uma chamada, pois morreram anos antes de a Telepara cumprir sua parte no contrato.

Não são apenas os esquerdistas que se mostram contrários às privatizações. Em Minas Gerais, por exemplo, líderes partidários de todas as filiações apoiam a desestatização da Eletrobras, mas desde que seja excluída Furnas, uma das subsidiárias da grande estatal. No Nordeste, o pessoal topa vender tudo, menos a Chesf. No Norte, os políticos querem reter no sistema estatal a Eletronorte. Em prevalecendo essas restrições, não haverá o que privatizar ― a não ser a astronômica dívida da Eletrobras. O argumento dos caciques mineiros é que Cemig e Furnas fazem parte da história, são patrimônio do povo, e blá, blá, blá. Se é assim, por que o povo de Minas não assume as dívidas e desobriga os contribuintes nacionais de bancar os prejuízos dessas empresas? E o mesmo raciocínio se aplica à Chesf, à Eletronorte, e assim por diante.

O que esses maus políticos querem é manter o controle sobre as empresas e a prática perversa de indicar apaniguados para suas diretorias e outros cargos, locupletar-se com a escolha de fornecedores e encaminhamento de contratos, além de garantir o apoio de toda essa gente nas campanhas eleitorais. Foi essa cultura que gerou o rombo monumental da Eletrobras, que tem uma dívida de R$ 47,3 bilhões ― só para a Petrobras, a estatal deve R$ 16 bilhões de gás que comprou e não pagou. Aliás, isso resulta em grande medida da espúria gestão petista, ainda que nem mesmo a nefelibata da mandioca conseguiria tal proeza se o sistema não fosse estatizado e controlado politicamente.

Convenhamos: se a Petrobras tivesse sido privatizada antes de o PT chegar ao poder, dificilmente teríamos o ninho de cobras que a Lava-Jato descortinou, com desdobramentos que ainda afloram e continuarão aflorando até o final dos tempos ― ou até que a sociedade tome vergonha e defenestre essa classe política cancerosa, esse bando de parasitas, de chupins travestidos de parlamentares. Pau neles!