Para concluir esta abordagem sobre o tema em pauta, cumpre relembrar o foro especial por prerrogativa de função visava originalmente proteger os parlamentares de decisões autoritárias, como as que se tornaram comuns durante a ditadura militar, mas acabou se transformando num salvo-conduto para maus políticos delinquirem impunemente.

O STF decidiu rever essa excrescência, que atualmente contempla mais de 50 mil servidores de 51 categorias. Para que o leitor tenha uma ideia, são 14.882 juízes, 5.568 prefeitos, 1059 deputados estaduais, 513 deputados federais, 81 senadores, 88 ministros de tribunais superiores, 28 ministros de Estado, 27 governadores e outros 32.700 brasileiros “mais iguais perante à lei do que os outros”. Diante disso, o Congresso prontamente aprovou (em primeiro turno) uma PEC bem mais abrangente que a proposta do ministro Barroso, dando a impressão de que os parlamentares estariam alinhados com os interesses da população, que já não suporta mais conviver com tanta corrupção e tantos corruptos impunes.

Só que a intenção dos parlamentares não era aprovar coisa alguma, mas sim ameaçar o Supremo com a perda do benefício, já que o projeto de emenda constitucional preservaria o foro especial somente para os presidentes dos Três Poderes e vice-presidente da República, enquanto que a proposta em tramitação no Suprema limita o foro de deputados federais e senadores aos crimes ocorridos durante o mandato e em consequência dele. CONTINUE LENDO EM...https://fernandomelis.blogspot.com.br/2017/11/ainda-sobre-vergonha-nacional-do-foro.html