Na matéria de capa da edição desta semana, Veja deu conta de que, em seu acordo de delação premiada, o empreiteiro Léo Pinheiro faz referências ao ministro Dias Toffoli, do STF. Isso teria “irritado” o procurador-geral Rodrigo Janot a ponto de leva-lo a cancelar as negociações, por entender que a publicação representou quebra do acordo de confidencialidade e seria uma forma de forçar a PGR à assinatura da delação definitiva. Essa história não ficou bem explicada, mas a petralhada comemorou assim mesmo, já que a suspensão das negociações complica a situação de Leo Pinheiro, mas facilita a vida de Lula e de outros investigados pela Lava-Jato.

Na visão de Marco Aurélio Mello, apesar de ter sido suspensa por Janot, a delação do chefão da OAS pode seguir diretamente com o juiz Sérgio Moro. “Eu não acredito que o procurador-geral da República adote a postura de não querer mais tocar a colaboração. E, de qualquer forma, se ele se recusar, o corréu pode chegar a juízo e colaborar (...) Eu não consigo imaginar que parta do Ministério Público. Precisamos apurar, porque é algo que conflita com a lei regedora da colaboração premiada, e verificar como houve esse vazamento”, afirmou o ministro.

Vale frisar que, se cabe punição a alguém, que punam quem vazou a informação. A revista fez seu papel, nem mais, nem menos.

De mais a mais, de acordo com o site O Antagonista, o procurador Carlos Fernando dos Santos Lima, um dos coordenadores da força-tarefa da Lava-Jato, teria dito em abril que só haveria espaço para a delação de mais uma empreiteira. A escolha entre OAS e Odebrecht dependeria do andamento de cada negociação e, especialmente, do conteúdo. Não é preciso ser um gênio para entender que a Odebrecht é a maior beneficiária dessa decisão. Resta agora saber quem plantou a notícia.