No jargão do Direito, o termo “chicana” pode designar uma dificuldade criada, no decorrer de um processo judicial, pela apresentação de argumentos embasados em detalhes ou ponto irrelevantes; o abuso de recursos, sutilezas e formalidades da justiça; ou ainda uma contestação capciosa, trapaceira, feita de má-fé.

E é isso e mais um pouco que a defesa de Lula vem fazendo desde que o molusco se tornou alvo da Lava-Jato. Nem o Comitê de Direitos Humanos da ONU escapou de Cristiano Zanin que, buscando atrair a atenção internacional para a suposta “perseguição política” de Sérgio Moro contra o pobre “presidente do povo”, apresentou uma reclamação formal contra o magistrado ― que foi polidamente ignorada, naturalmente.

Dada a impossibilidade de defender o indefensável, os advogados de Lula denigrem a imagem do Brasil, atribuindo a suposta rapidez do TRF-4 a uma hipotética conspiração que visa frustrar a candidatura do salvador da pátria, e tentando vender a ideia ― que é rapidamente comprada e revendida pela patuleia ignorante ― de que todos são suspeitos, inclusive os desembargadores do TRF-4. Na sua visão, só Lula é imaculado, devendo mesmo ser canonizado em vida pelos membros de sua seita infernal.

No início deste mês, Zanin de companhia pediram que Lula fosse ouvido novamente, alegando que o interrogatório conduzido pelo juiz Moro, em maio do ano passado, “foi totalmente viciado”, que o magistrado fez “perguntas estranhas ao processo” e não permitiu ao réu “exercer seu direito de autodefesa com plenitude”. Só faltou pedir uma sessão de mesa branca para colher o testemunho da finada ex-primeira dama sobre a probidade da autodeclarada alma viva mais honesta do Brasil.

Observação: Ao prestar depoimento na 13.ª Vara Federal de Curitiba, o Picareta dos Picaretas respondeu o que quis e calou-se sobre o que bem quis. Moro tinha o direito de perguntar sobre o que quisesse, e foi o que fez. Para a defesa, no entanto, pouco importa o fato de que a chance de seus pedidos estapafúrdios serem concedidos fica próxima de zero, importa-lhes criar factoides que reforcem a narrativa de que Lula é vítima de lawfare ― termo que, grosso modo, designa uma guerra a manipulação das leis para atingir alguém que foi eleito como inimigo político, ou por outra, o uso abusivo da lei como uma arma de guerra.

A mais recente e desesperada artimanha da defesa de Lula é argumentar que seus crimes caducaram. Todavia, como mostrou Merval Pereira, Sergio Moro já desmontou esse golpe. CONTINUE LENDO EM http://fernandomelis.blogspot.com.br/2018/01/defesa-de-lula-chicana-tem-limites-no.html