Era uma terça-feira como qualquer outra. Ou pelo menos era o que parecia até o final da tarde de ontem, quando se veio a saber que “Lista de Janot”, promovida a “Lista de Fachin”, elencava 9 ministros de Temer, 29 senadores, 42 deputados federais (entre eles, os presidentes da Câmara e do Senado), três governadores e um ministro do TCU, além de 29 outros políticos e autoridades que, a partir de agora, são oficialmente investigados pelo STF.

Há ainda uma segunda lista, enviada a outros tribunais, que exibe orgulhosamente os nomes dos ex-presidentes Lula, Dilma e FH (Fernando Collor também é investigado, mas no STF, pois, embora se inclua na seleta confraria de ex-presidentes da Banânia, o “caçador de marajás” de araque foi eleito senador por Alagoas, o que lhe dá direito a foro privilegiado (prerrogativa que urge mudar, sob pena de boa parte dos malfeitos dessa corja de filhos da... pátria amada não ser passível de punição devido à morosidade da Justiça.

Volto ao assunto quando tomar conhecimento dos desdobramentos da Lista de Fachin, até porque ela apenas oficializou o que já se sabia extraoficialmente. Resta aguardar a suspensão do sigilo para, aí sim, saber quem é quem no Piauí e que parte da caca toca a cada um dos investigados ― que, absurdamente, insistem em se esconder atrás de meias verdades, tipo "ser investigado não quer dizer que se é culpado", e juram de mãos postas e pés juntos sua inocência (tudo mentira dos delatores!).

Um ramerrão batido, puído, embolorado e quase tão cansativo quando a história do “golpe”, que anta vermelha frequentemente requenta, às vezes num projeto de portunhol risível, noutras, num arremedo de francês de galinheiro de dar dó.

Pior que isso, só mesmo ouvir o chefe da gang se comparar a Jesus Cristo, dizer-se a alma viva mais honesta da galáxia e, fazendo qualquer coisa de palanque, de caixote de fruta ao esquife da finada esposa, berrar aos quatro ventos que ele e só ele é a salvação para o Brasil, embora seja um monte de lixo que há muito deveria ter sido varrido para bem longe daqui.

A propósito: O molusco é citado por Edson Fachin em onze pedidos de inquérito. Onze! O primeiro e mais importante, relatado por 6 delatores, trata dos pagamentos de propina à ORCRIM comandada por ele ― Marcelo Odebrecht fala sobre Lula e seus gerentes, Antonio Palocci e Guido Mantega, em 15 termos de depoimento. O segundo trata dos pagamentos de propina por meio de palestras fraudulentas, da reforma do sítio em Atibaia e da compra do prédio do Instituto Lula. O terceiro trata dos 4 milhões de reais repassados ao Instituto Lula pelo departamento de propinas da Odebrecht. O quarto é aquele que envolve os pagamentos de propina para seu irmão, Frei Chico. O quinto trata de seu trabalho como lobista da Odebrecht junto a Dilma Rousseff ― no caso, ele tentou beneficiar a empreiteira na hidrelétrica de Jirau, mas fracassou porque a anta já havia favorecido uma concorrente. O sexto trata do pagamento de propina para a campanha de Fernando Haddad, em 2008 ― e não é um caso de caixa 2; a empreiteira repassou dinheiro a João Santana em troca de "medidas legislativas favoráveis aos interesses da companhia". O sétimo apura o assalto à Sete Brasil ― de acordo com Marcelo Odebrecht, Lula decidiu ratear a propina de 1% sobre o valor dos contratos entre os funcionários da estatal e o PT. O oitavo revela sua tentativa de obstruir a Lava-Jato aprovando a MP 703. O nono é uma beleza: os 3 milhões de reais pagos pelo departamento de propinas da Odebrecht à Carta Capital. O décimo trata do dinheiro que o departamento de propinas da Odebrecht repassou para seu filho caçula. Por último, mas não menos importante, o décimo-primeiro investiga se o molusco eneadáctilo traficou influência para favorecer a Odebrecht em Angola.