FAÇA UM POLÍTICO TRABALHAR: NÃO O REELEJA!

Assistir ao noticiário exige estômago forte. Além das indefectíveis notícias sobre naufrágios, ataques terroristas, quedas de aeronaves e violência de todo tipo ―, eventos relacionados com a política não raro transbordam para as páginas policiais, tanto devido à péssima qualidade de nossos representantes no Legislativo e governantes no Executivo quanto à falta de esclarecimento (para não dizer estupidez) do povo que os elegeu. E como se não bastasse, ainda temos de aturar pronunciamentos estapafúrdios do Pato Donald (Trump), testemunhar as barbaridades cometidas por integrantes da nossa mais alta Corte de Justiça e assistir a um criminoso condenado, travestido de candidato, sair em campanha antecipada pelo Brasil afora, numa afronta à parcela pensante da população ― que só não toma as ruas para protestar contra esse descalabro porque está mais preocupada em sobreviver.

Talvez pelo mesmo motivo que Michel Temer, com míseros 5% de apoio popular ― recorde negativo de um presidente desde a ditadura ―, ainda não enfrente protestos nacionais (manifestações realizadas por grupelhos de vândalos, recrutados pelo PT nas fileiras da CUT, do MST, do MTST e outras agremiações de imprestáveis não contam). Já o fato de ele ter conseguido sepultar a denúncia de Janot e obstruir o curso da Justiça ― mediante a compra dos votos das marafonas da Câmara, cuja fatura será paga pelos contribuintes, como o governo já deixou claro com o aumento da tributação sobre os combustíveis e com a revisão da meta de déficit fiscal.

O que acontecerá quando as outras duas denúncias vierem ― o que não deve tardar, pois falta menos de um mês para a troca do comando da PGR ― é outra história. Não há mais de onde tirar dinheiro para pagar o michê das meretrizes do Parlamento, ainda que nem o presidente nem o os deputados pareçam se dar conta disso ― haja vista a tentativa de inserir no já estropiado texto da reforma política os R$ 3,6 bi (0,5% do orçamento da União) destinados a bancar campanhas eleitorais de suas insolências. Vão trabalhar, vagabundos!

Para concluir: O Antagonista questionou um ministro do TSE sobre a caravana desavergonhada de Lula pelo Nordeste. A resposta foi a seguinte: “A legislação eleitoral brasileira acabou ficando um pouco mais flexível, permitindo manifestações políticas antes do prazo, desde que não haja expresso pedido de voto. Todavia, o que temos é uma caravana, com ônibus caracterizado, militantes com bandeiras, faixas de ‘presidente’, ou seja, uma campanha explícita fora de hora. Ainda que não haja pedido expresso de voto, está mais do que claro que se trata de uma atividade que conduz a essa percepção. Se não for interpretado assim, vira hipocrisia. O candidato vai dizer que está cumprindo a lei, já que está fazendo tudo, mas… não está pedindo voto expressamente. Lula não pode insultar nossa inteligência. Está, repito, mais do que explícito o cunho eleitoral dessa caravana. E ele está utilizando a lei (que impede o pedido expresso de voto) para fraudar seu objetivo. Em última instância, ele está fraudando a lei”. O magistrado salientou ainda que é preciso verificar a origem dos recursos utilizados para a realização dessa caravana, mas que a Justiça Eleitoral só pode se posicionar sobre o assunto se for provocada para tal.

Para encerrar (agora de verdade): Fernando Collor de Mello, o primeiro presidente impichado na era pós-ditadura militar, integra agora a seleta confraria dos senadores réus na Lava Jato, ao lado de Gleisi Hoffmann e do peemedebosta Valdir Raupp. Na última terça-feira, a 2ª Turma do STF acolheu parcialmente a denúncia apresentada contra ele pela PGR (em 2015), por crimes de corrupção passiva, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Se você sonha em viver para ver o pseudo caçador de marajás no xilindró, redobre os cuidados com a saúde: o deputado Paulo Maluf, que há três meses foi condenado, no STF, a 7 anos, 9 meses e 10 dias de prisão em regime fechado, continua solto, em pleno exercício do mandato e com trânsito livre no Congresso Nacional, a despeito de os ministros determinarem sua interdição para o exercício de cargo e função pública de qualquer natureza pelo dobro da pena privativa de liberdade. É por isso que se diz que bandido burro vai para a cadeia e bandido esperto entra para a política!