Eike Batista, solto semanas atrás por um ministro Don Quixote com vocação para laxante, tem até a meia-noite de hoje, 17, para pagar a fiança de R$ 52 milhões e continuar em prisão domiciliar. Com os bens e ativos financeiros bloqueados, o ídolo de Lula e Dilma ― para quem o bilionário de festim tinha a “cara do Brasil” ― terá dificuldade de efetuar o pagamento. A menos, naturalmente, que conheça outras maneiras de fazer dinheiro rápido além das que o levaram da condição de bilionário à de presidiário da noite para o dia. Para seu advogado, existe uma clara perseguição (qualquer semelhança com o discurso de Lula é mera coincidência, claro), e que eventuais tratativas para uma delação ― que não reflete uma orientação da defesa, mas uma decisão do próprio Eike ― ainda depende de o MPF aceitar ou não.

Após analisar novas provas colhidas com lobistas investigados na Operação Zelotes, a Polícia Federal indiciou o ex-presidente Lula por suspeita de corrupção passiva em esquema envolvendo a compra de medidas provisórias, que teria movimentado R$ 6 milhões. A denúncia foi formalizada ontem, e, além do molusco, outras 12 pessoas serão alvo de investigação. E outro inquérito pode advir das contradições no depoimento do pinócchio ao juiz Moro, na última quarta-feira. Em sendo aceitas essas denúncias, Lula passará de penta para hepta-réu. Vamos acompanhar.

Ter choramingado por ser tratado como figura decorativa, na carta que enviou no ano passado à então presidente Dilma, pode ser a salvação de Michel Temer no processo de cassação da chapa, cujo julgamento, segundo o sempre informativo ministro Gilmar Mendes, deve ocorrer no início do mês que vem. Na avaliação de Nicolao Dino, vice-procurador-geral Eleitoral, inexistem nos autos elementos que associem o atual presidente aos financiamentos ilegais da campanha revelados pelos executivos da Odebrecht, ou mesmo indicando que ele tivesse conhecimento da prática de qualquer ilícito. Portanto, Dino pede a cassação da chapa, mas com penas distintas: a anta vermelha ficaria inelegível por oito anos e o peemedebista continuaria na presidência, com seus direitos políticos intactos. O julgamento, que foi adiado em abril, será retomado com dois novos ministros: Admar Gonzaga no lugar de Henrique Neves e Tarcísio Vieira de Carvalho no da ministra Luciana Lóssio. Mas nada garante que a coisa avance, já que qualquer um dos dois poderá pedir vista do processo, que tem 29 volumes com depoimentos de mais de 50 testemunhas. Por outro lado, fala-se que o TSE tem interesse em resolver a pendenga o quanto antes, devido à insegurança política que ela representa. À luz do conjunto probatório ― e dos depoimentos de João Santana e Monica Moura, que foram colacionados aos autos ―, salta aos olhos o abuso de poder econômico o uso de dinheiro desviado de obras públicas na campanha de 2014. Como a chapa é una e, em tese, indivisível, separar as punições seria uma decisão nada ortodoxa. Mas mais heterodoxo ainda seria não punir nenhum dos dois ― o que pode perfeitamente acontecer, bastando prosperar o entendimento de que, com o impeachment de Dilma, a ação perdeu o objeto. Em se tratando do Brasil, nada surpreende.

Ainda sobre a anta vermelha: fala-se que Dilma tenciona se candidatar ao Senado nas próximas eleições. Parece que ela herdou de seu mentor e predecessor não só a vocação para a comédia, mas também a tendência a devaneios. Ainda que a decisão do TSE mantenha seus direitos políticos ― que já deveriam ter sido cassados por ocasião do julgamento do impeachment ―, seria preciso combinar com os eleitores do RS, e 70% deles, segundo levantamento feito pelo Paraná Pesquisas, não votariam de jeito nenhum na aberração em forma de gente. Enfim, diz um velho ditado que, se desejos fossem cavalos, mendigos cavalgariam.