Petistas, peemedebistas e maus políticos de outras agremiações preparam um golpe para outubro. No debate sobre o novo Código de Processo Penal na Câmara, numa clara mobilização para reprimir a Lava-Jato e salvar seus rabos sujos, suas insolências discutem mudanças nas regras de delação premiada, prisão preventiva e condução coercitiva, além da revogação do entendimento de que as penas podem começar a ser cumpridas após a condenação em segunda instância (matéria já pacificada pelo STF, mas se a alteração for votada, aprovada e inserida no novo CPP, fica o dito pelo não dito).

O deputado petista Vicente Cândido, relator do projeto da (eterna) reforma política, escamoteou em seu parecer uma regra que visa aumentar 16 vezes o período de imunidade temporária desfrutada por candidatos, que, atualmente, não podem ser presos ― a não ser em flagrante delito ― a partir do 15º dia que antecede ao da eleição. Por razões óbvias, essa proposta foi batizada de “Emenda Lula” ― o deputado e o deus pai da petralhada são amigos de longa data, desde antes da fundação do PT ―, mas Cândido garante que o filho do Brasil e alma viva mais honesta da galáxia não sabia de nada, que o apelido é pura maldade da mídia. Só faltou explicar como e por que resolveu incluir em seu relatório essa emenda estapafúrdia dois dias depois da condenação de Lula em primeira instância.

Outros participantes da comissão da reforma política dizem que não foram consultados sobre a mudança e classificam a proposta de indecente. “Daqui a pouco a candidatura vai ser um passe livre para bandido. (...) Não fui consultado e vou votar contra. É apenas uma tentativa de blindar bandido para se candidatar”, disse o deputado Espiridião Amin.

Na avaliação do deputado tucano Betinho Gomes, a proposta do colega petista é uma "provocação", e, assim como Amin, diz que votará contra. “Na condição de relator, ele pode apresentar qualquer coisa, inclusive esse abuso. Isso é um achincalhe, uma provocação. É um escárnio com a sociedade, algo que foge totalmente ao bom senso ―, afirmou o tucano.

A postura de nossos conspícuos parlamentares é estarrecedora. Se isto aqui fosse um país sério, nenhum deles receberia um voto sequer (além do próprio e de familiares, naturalmente) nas próximas eleições, quando, além do presidente da Banânia, serão eleitos (ou reeleitos, considerando os que tencionam continuar mamando nas tetas do Congresso) todos os 513 deputados federais e 2/3 dos 81 senadores. Brasília parece um mundo à parte, um planeta distante, de onde não se vê e nem se sabe o que se passa no restante do país.

Semanas atrás, para obstruir a votação da reforma trabalhista, a senadora petista Gleisi Hoffmann ― ré na Lava-Jato e atual presidente do PT ― e outras quatro colegas “de esquerda” se abancaram na mesa diretora do Senado por mais de 6 horas, numa cena de pura poesia revolucionária orquestrado à socapa pelo ex-guerrilheiro de festim e ora presidiário (temporariamente em prisão domiciliar, mas ainda assim presidiário) José Dirceu.

A reforma acabou passando, mas o mais estarrecedor foi saber que, durante todo o motim, as bravas senadoras lutavam pelos direitos da mulher trabalhadora obedecendo por telefone às instruções do presidente da CUT. Para um país que mal superou o trauma de ter como primeira presidente mulher uma besta teleguiada pelo padrinho ― aliás, Dilma também telefonou para prestar solidariedade às cumpanhêras senadoras ―, o protesto feminista com controle remoto masculino foi algo lamentável.

Basta por ora. O resto fica para uma próxima postagem.