Quando o impeachment anterior (a que ponto chegamos!) passou de nuvem distante a borrasca iminente, a militância petralha fez eco à impichada e se pôs a vagir aos quatro ventos a tese capenga do “golpe de estado”. Curiosamente, quando o PT moveu montanhas para impichar um certo caçador de marajás de festimninguém falou em golpe ― como não fala agora, quando o mesmo PT articula a deposição de Michel Temer.

A Constituição vigente foi promulgada em 1988 e, portanto, é a mesma que balizou a deposição de Collor em 1992 e a de Dilma no ano passado. Agora, porém, quando é Temer quem está no bico do corvo ― mais ora, menos hora, Rodrigo Maia terá de acolher um dos pedidos de impeachment (já são 14) que se empilham na secretaria da Câmara ― a patuleia oportunista riscou a palavra “golpe” do dicionário, o que nos leva a três possiblidades: 1) Petista não tem um pingo de vergonha na cara; 2) Petista é totalmente desprovido de células neurais; 3) Ambas as alternativas são verdadeiras.

Outro exemplo lapidar: a mesma cáfila vermelha que vê na Lava-Jato um instrumento para fulminar o PT e colocar atrás das grades seu amado líder ― não por crimes de obstrução da Justiça, lavagem de dinheiro, recebimento de vantagens indevidas e tráfico de influência, mas apenas para impedi-lo de disputar as eleições presidenciais em 2018 ― aplaude a instauração de inquéritos contra Michel Temer e Aécio Neves ― talvez porque suas sinapses estreitas não consigam processar a ideia de que a delação da JBS enterra ainda mais fundo as reputações de Lula e de Dilma.

Não se nega que os maiores atingidos pela Delação do Apocalipse são o presidente Temer ― cuja permanência no cargo está por um fio ― e o senador Aécio Neves ― que não só foi impedido de exercer plenamente seu mandato, mas também assistiu à prisão da irmã e do primo (e não os acompanhou apenas porque tem imunidade parlamentar e só pode ser preso em flagrante delito). Mas isso não melhora em nada a situação da “alma viva mais honesta do Brasil” e de sua imprestável pupila (voltarei oportunamente a essa questão).

Por via das dúvidas, essa turminha do “quanto pior, melhor” resolveu realizar mais uma das suas folclóricas “manifestações”. Na semana passada, hordas pinçada nas alas da CUT, do MST e de outras entidades vinculadas ao PT e financiadas por subvenções federais empunharam suas indefectíveis bandeiras vermelhas e, aos brados de “Fora Temer”, tomaram de assalto (literalmente) a Capital da República. Tal e qual vândalos sanguinários, essa caterva promoveu um monumental quebra-quebra, ateou fogo em ministérios e destruiu tudo que encontrava pela frente com uma selvageria espantosa. Curiosamente, essa “indignação petista” jamais aflorou quando Lula, e depois dele, Dilma, sangraram a Petrobrás nos esquemas espúrios do Mensalão e do Petrolão.

Enquanto o pau comia nas ruas, a oposição obstruía importantes votações na Câmara e no Senado, como se as reformas da Previdência e da Legislação Trabalhista fossem de interesse pessoal do presidente, e não da sociedade brasileira como um todo. Mais um valoroso serviço prestado pelos luminares esquerdopatas, que vêm defendendo eleições diretas ― ao arrepio dos ditames constitucionais, que, na hipótese de Temer renunciar, determinam a realização de eleições indiretas para a escolha do presidente-tampão.

Claro que a intenção dos flibusteiros inflamados é recolocar o timão da Nau dos Insensatos nas mãos do ex-presidente lalau e mudar o curso dos julgamentos que promoverão o sacripanta a inquilino do sistema penitenciário nacional. Enquanto isso, Dilma, a inigualável ― que, pelo andar da carruagem, não demora a seguir os passos de seu antecessor e mentor (literalmente), já que é acusada de práticas bem pouco republicanas por delatores da Odebrecht e da JBS ― apelou à Justiça para anular o impeachment e reassumir o cargo! “Olha o que fizeram com o Brasil”, vociferou a imprestável, referindo-se à gestão de Michel Temer, como se não fosse ela, Dilma, a inimitável, a responsável pela monstruosa crise que há anos vêm castigando a nação, e que o atual governo Temer, aos trancos e barrancos, vinha conseguindo amenizar. Vinha, porque agora tudo parou. A despeito de o presidente e seus apoiadores (os poucos que lhe restam) tentarem passar a impressão de que tudo caminha, o país está em compasso de espera e assim deve permanecer até o emblemático dia 6 de junho, quando o TSE deve retomar o julgamento da cassação da chapa Dilma-Temer.

A aleivosia dos petistas e afins é nítida ― e, dizem, está sendo articulada pelo criminoso condenado José Dirceu, solto no último dia 2 por decisão da colenda 2ª Turma do STF. Em linhas gerais, a coisa se resume em forçar a renúncia (ou a deposição) de Temer, convocar eleições diretas, emplacar a candidatura de Lula Lalau e voltar a dar as cartas na política nacional.

ObservaçãoNuma reunião coordenada pela senadora peemedebista Kátia Abreu― fã incondicional da anta vermelha ―, Lula teria sido convocado para costurar a maracutaia. Só mesmo no Brasil um político prestes a ser sentenciado pela Justiça penal senta-se à mesa com quem quer que seja para discutir o futuro do país. Talvez por isso o molusco abjeto chegue mesmo a acreditar nas mentiras que recheiam seus discursos inflamados, que arrancam aplausos da patuleia ignara, mas revoltam aqueles que são capazes de pensar e querem o melhor para este pobre país.

Para a caterva vermelha, pouco importa se o país voltar à estaca zero no caminho das reformas ou se a Economia for destroçada. E o pior é que essa bandalha conta com o apoio incondicional de intelectualoides e outras sumidades “de esquerda”, como certo colunista da revista IstoÉ (nem vou citar o nome desse infeliz porque os adjetivos que eu usaria para qualificá-lo são impublicáveis). Leia o excerto a seguir ou clique aqui para acessar a íntegra da parvoíce:

Por mais alienada que seja a massa, ainda existem brasileiros e brasileiras dispostos a resistir e a lutar por seus direitos. Foi isso que ficou claro no último dia 24, quando dezenas de milhares de pessoas ocuparam Brasília. Embora o “Fora Temer” fosse um fator importante na mobilização, as pessoas não estavam ali apenas para protestar contra a corrupção sistêmica que se instalou no País e contra o assalto ao Estado promovido pelo PMDB e seus aliados. O grito de guerra era contra as reformas que a elite brasileira gostaria de ver aprovadas sem voto, numa espécie de operação choque e pavor, sem qualquer reação. (...) Nenhum governo ilegítimo é capaz de subtrair direitos do povo numa sociedade aberta. Ainda mais, sem qualquer tipo de negociação. Temer bem tentou apelar para as Forças Armadas, mas ficou claro que o Exército não irá se aventurar a proteger um governo maculado por escândalos de corrupção e disposto a implantar uma agenda totalmente impopular. Tanto é assim que, um dia depois, o decreto que convocava as tropas foi revogado. (...) A única saída racional para o problema brasileiro é devolver o poder ao povo – aliás, de onde deveria emanar o poder. Só um governo eleito – e, portanto, legítimo – terá a capacidade de encaminhar soluções para os problemas nacionais. O Brasil já sofreu demais por ter ficado dois anos privado de uma democracia plena".

ObservaçãoPara saber mais sobre esse “suposto jornalista” (nas palavras do juiz Sérgio Moro) e criador do site Brasil 247 ― cujos patrocínios em verbas publicitárias de estatais controladas pelo PT foram crescendo, ano a ano, até os estratosféricos R$ 2.192.687,13 que Dilma tentou lhe garantir para 2016 ― siga este link.

Por essas e outras, talvez seja mais sensato manter no cargo um presidente que, embora investigado por suspeitas brabas de corrupção, vinha produzindo resultados animadores. Substituí-lo pelo larápio parasita e manipulador, comandante máximo da ORCRIM e penta-réu na Justiça penal ― que foi capaz da baixeza de transformar em ato político o enterro da companheira e cúmplice com quem viveu 40 anos ― seria o cúmulo dos cúmulos.

Por essas e outras: FICA, TEMER! ― por enquanto; até quando, só Deus sabe.