Rodrigo Janot deve deixar o comando da PGR em setembro, mas não sem antes brindar o “Quadrilhão” com denúncias contra 23 integrantes da organização criminosa, de Lula a Palocci, de Renan Calheiros a Jucá, passando por Cunha, Henrique Alves, Benedito Lira, Mário Negromonte. De acordo com a PGR, o PT, o PMDB e o PP se associaram para saquear os cofres públicos, formando uma teia criminosa única, mas com núcleos políticos distintos, que ratearam entre si as diretorias de Abastecimento, Serviços e Internacional de Petrobras. Gente do mais fino trato e honestidade acima de qualquer suspeita, naturalmente, e que se escandaliza quando é investigada, se diz disposta a colaborar com a Justiça (como se isso não fosse sua obrigação). Só que, à sorrelfa, essa mesma gente tece tramas visando obstruir a Lava-Jato e salvar o mandato ― para continuar “metendo a mão”, é claro, pois o lobo perde o pelo, mas não perde o vício.  E é exatamente gente assim ― leia-se Lula Lalau ― que os esquerdopatas querem de volta no Planalto, com sua campanha (malfeita, estúpida e totalmente fora de hora) pelas “diretas-já”. Volto a esse assunto numa próxima oportunidade.

Tantos foram os membros do time de notáveis (como se referia o presidente Temer a seu ministério e assessoria direta) que caíram feito moscas no primeiro ano deste governo que muita gente já nem se lembra mais de Henrique Alves, que pediu demissão semanas depois de assumir a pasta do Turismo. Aliás, nos primeiros 30 dias no cargo, Temer teve de lidar com a exoneração de 3 colaboradores (e alguns eram seus amigos pessoais) e manter os demais na alça de mira, de olho na opinião pública ― até o mês passado, 8 ministros foram exonerados ou pediram demissão, por conta de suspeitas de práticas pouco republicanas. Enfim, interessa mesmo é que o ex-ministro de Temer (Henrique Alves, lembra?), preso pela PF na manhã de ontem sob gritos de "ladrão", por suspeitas de superfaturamento de R$ 77 milhões na Arena das Dunas, em Natal (RN), também foi ministro de Dilma e de Lula, além de presidente da Câmara Federal. O que me leva à seguinte pergunta: por que o peemedebista, ao assumir, não teria se livrado prontamente todo o entulho remanescente dos governos petistas?

Assunto mais “quente” é a situação do presidente Temer no TSE, até porque a cassação da chapa vem sendo vista como a melhor solução para afastá-lo de maneira mais ou menos honrosa e causar o menor abalo possível à governabilidade do país. Na sessão de reabertura do julgamento, ontem à noite, marcado pela leitura do relatório com o resumo do processo, o ministro-relator Herman Benjamin recomendou a rejeição de quatro preliminares (que envolviam a impossibilidade do TSE cassar diploma do presidente, a extensão de uma das ações que foram aglutinadas na ação julgada nesta terça, a perda do objeto da ação em virtude da cassação pelo processo de impeachment, e a inversão de ordem de testemunhas), sendo seguido pelos demais ministros da Corte. A sessão foi retomada nesta manhã, quando deverão ser analisadas outras seis questões (dentre as quais a inclusão ou não das delações da Odebrecht e dos marqueteiros João Santana e Mônica Moura) antes de Benjamin proferir seu voto sobre a cassação da chapa propriamente dita. Será decidida a inclusão ou não das delações premiadas da Odebrecht e do casal de marqueteiros João Santana e Mônica Moura nos autos considerados no julgamento, e um pedido de vista para suspender o julgamento não está descartado. Confira algumas pérolas colhidas na sessão da noite do ontem:

Aqui, na Justiça Eleitoral, nós não trabalhamos com os olhos fechados. Esta é a tradução desse princípio da verdade real” ― Herman Benjamin, relator.

Os tribunais não podem ora julgar de uma maneira, ora julgar de outra. (...) O TSE é um tribunal subordinado ao Supremo Tribunal Federal” ― Luiz Fux, ministro do TSE e do STF.

Será que nas condições sugeridas pela representada [Dilma] é possível encerrar algum processo judicial? E aqui repito o que está na base desse processo, uma contradição. Ora o juiz relator avançou o sinal, ouviu testemunhas que deveria, que não foram pedidas pelas partes, ora se quer que se ouçam dezenas, centenas de testemunhas que não foram sequer indicadas. Evidente a contradição aqui” ― Herman Benjamin.

A verdade é essa: não se quer aqui, nesses autos, as provas relativas à Odebrecht. O que se quer é que o Tribunal Superior Eleitoral (...) feche os olhos sobre argumentos técnicos que vamos analisar em seguida, provas referentes à Odebrecht” ― idem.

 “Tudo o que eu disser no meu relatório, como tudo o que eu disser no meu voto, todos os brasileiros poderão clicar na internet e conferir se o que estou dizendo realmente indica a realidade dos autos. Então, esta é uma garantia enorme de cidadania, mas, ao mesmo tempo, uma garantia para nós, julgadores, que queremos julgar com segurança, com justiça e bem” ― idem.

Faz-se até uma estimativa um tanto quanto macabra de quantos parlamentares são cassados, de quantos vereadores, quantos prefeitos. O ministro Henrique nos contava que quando vai para o exterior é perguntado sobre isso, sobre quantos são cassados, e ficam eles assustados. Porque dizem: estão cassando mais do que a ditadura, e é uma Justiça que se pretende democrática” ― Gilmar Mendes, presidente do TSE, explicando os motivos que levaram a tanta demora no processo.

As ditaduras cassavam e cassam quem defende a democracia. O TSE cassa aqueles que vão contra a democracia. Há aí uma enorme diferença” ― Herman Benjamin.

Volto com mais informações no decorrer do dia.