A impressão que se tem ao fim e ao cabo do terceiro dia do julgamento de Temer (vamos combinar que essa história de “chapa” já deu o que tinha a dar; o que está em jogo é o mandato do peemedebosta e ponto final) é de que há mais advogados de defesa do que juízes naquela Corte. A despeito de todo o esforço do relator, somente os ministros Luiz Fux e Rosa Weber parecem predispostos a acompanhar seu voto (do qual este que vos escreve, do alto de sua ignorância, discorda somente da parte que se refere à realização de eleições diretas).

Os demais magistrados, capitaneados pelo grandiloquente Gilmar Mendes, têm opinião formada, e, para não se submeterem ao vexame de julgar ao arrepio das provas, resolveram simplesmente não as admitir. É como dizer “olha, o sujeito invadiu a casa e roubou um ovo porque tinha fome, coitado; então, o que se discute é invasão de domicílio e roubo ― é certo que, durante a fuga, o cara matou o dono da casa, a mulher, os três filhos, o cachorro e o papagaio, mas isso não vem ao caso”.

Salta aos olhos que os ministros contrários à inclusão das provas das delações dos executivos da Odebrecht estão querendo beneficiar o presidente, e que fingem descaradamente que nada houve de errado do ponto de vista eleitoral na campanha de 2014, que caixa 1 com propina não é ilegal, e por aí afora. Ora, se fecham os olhos para os depoimentos da Odebrecht ― autorizados pelo próprio Tribunal ―, é porque não querem ver as ilegalidades, porque estão ali com um objetivo predefinido, e que farão o que for preciso para alcançá-lo. Para colocar em português claro: estão cagando e andando para as provas, para a Lei e para a opinião pública. Então, vamos mudar de assunto que é melhor.

Antes de deixar o cargo, em setembro, Rodrigo Janot vai brindar o assim chamado “Quadrilhão” com denúncias contra 23 integrantes da organização criminosa, de Lula a Palocci, de Renan Calheiros a Romero Jucá, passando por Eduardo Cunha, Henrique AlvesBenedito LiraMário Negromonte; enfim, toda uma cáfila de políticos corruptos dos três principais partidos da base aliada do (igualmente corrupto) governo federal.

De acordo com a PGR, o PT, o PMDB e o PP se associaram para saquear os cofres públicos, formando uma teia criminosa única, mas com núcleos políticos diferentes, que dividiu entre seus membros as diretorias de Abastecimento, Serviços e Internacional de Petrobras.

PT, por exemplo, tinha o controle da Diretoria de Serviços, comandada porRenato Duque; o PMDB controlava a área Internacional ― a cargo de Nestor Cerveró e Jorge Zelada ― e o PP, o setor de Abastecimento, dirigido por Paulo Roberto Costa.

No PT, quem exercia esse papel era o ex-tesoureiro João Vaccari, que já acumula penas que somam mais 33 anos de prisão. No PP, o principal arrecadador era o doleiro Alberto Youssef, que só está em prisão domiciliar devido a um acordo de colaboração premiada. No PMDB, esse papel era feito pelos lobistas Fernando SoaresMilton Lyra e Jorge Luz, que repassavam o dinheiro para os senadores e deputados peemedebistas.

Como se vê, tudo gente da melhor qualidade, de reputação ilibada e honestidade acima de qualquer suspeita. Enfim, dizem que o exemplo vem de cima. Considerando que foram e como agiram os três últimos presidentes da República, não dá para estranhar o comportamento dessa gentalha.

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