Olha aí mais uma do penta-réu que afirma ser “a alma viva mais honesta do Brasil”, usa o esquife da mulher como palanque e, no discurso, afirma que vai concorrer à presidência para salvar o país: a matéria de capa da revista ISTOÉ desta semana (clique neste link para ler a íntegra da reportagem) revela que, em troca de uma mala cheia de dinheiro, esse “abnegado” teria azeitado uma negociata de R$ 100 milhões entre a Camargo Corrêa e a Petrobrás.

Na entrevista, Davincci Lourenço de Almeida diz que privou da intimidade da cúpula da Camargo Corrêa e que essa estreitíssima relação fez com fosse destacado por Fernando de Arruda Botelho ― marido de Rosana Camargo de Arruda Botelho, herdeira da CC ―, no início de 2012, para entregar a propina ao ex-presidente Lula e distribuir outras malas cheias de dinheiro a funcionários da Petrobras.

Lula teria ido buscar a “encomenda” no hangar da Morro Vermelho Taxi Aéreo (também de propriedade da CC), em São Paulo, e posado para selfies com funcionários da empresa. Os retratos permaneceram nas paredes do hangar até setembro de 2015, sendo retirados quando a Lava-Jato começou a fechava o cerco em torno do grupo empresarial em questão. Ainda segundo o entrevistado, os pagamentos tiveram a chancela de Rosana Camargo de Arruda Botelho, herdeira da Camargo Corrêa e esposa de Fernando ― que morreu há cinco anos num acidente aéreo, após uma calorosa discussão com o brigadeiro Edgar de Oliveira Júnior, assessor da Camargo, que teria tramado a sabotagem da aeronave (a discussão, regada a gritos, socos e bate-bocas ferozes, teria culminado na demissão do brigadeiro).

As negociatas também foram reveladas ao promotor José Carlos Blat, do Ministério Público de São Paulo, que encaminhou os depoimentos à força-tarefa da Operação Lava-Jato. Uma sucessão de estranhos acontecimentos chamou a atenção do Ministério Público, dentre os quais o caminhão de bombeiros comprado por Botelho para atender a eventuais emergências no aeródromo de sua propriedade se encontrar trancado no hangar, no dia do acidente, e que o GPS com as informações de voo, resgatado por Davincci, foi ocultado das autoridades a pedido do brigadeiro. “Ele tomou o aparelho das minhas mãos dizendo que poderia ficar ruim para a família se entregássemos à investigação, e ainda me obrigou a mentir num primeiro depoimento à delegacia”, disse Davincci a reportagem. 

As investigações sobre o acidente haviam sido arquivadas pela promotora Fernanda Amada Segato, em março de 2013, mas foram reabertas em setembro do ano passado, em face dos depoimentos de Davincci, e estão a cargo do delegado José Francisco Minelli, ora em fase de oitiva de testemunhas.

Eduardo Botelho, irmão do empresário supostamente assassinado, revelou à ISTOÉ que “o nível de nojeira da equipe que comandava os negócios do irmão era muito grande. Tudo o que aconteceu naquele dia do acidente aéreo foi estranhíssimo. Fernando estava sendo roubado. Como ele não tinha controle do que acontecia com o avião, pode ter sido sabotado, sim. Era fácil sabotar aquele avião, que era da Segunda Guerra. Podem ter mexido no dia da queda. Se ele não tivesse morrido naquele dia, iria fazer uma limpeza gigantesca nas fazendas da Camargo”. Novas ― e graves ― revelações devem surgir em breve, já que um acordo de colaboração da Camargo Corrêa com o MPF está em fase final de negociação.  

E viva o Brasil, onde só tem gente honesta e um penta-réu, mais honesto que todo mundo, almeja retornar à presidência da República. Só se for Presidente Bernardes (referência à penitenciária onde estão criminosos ilustres, como Marcola e Fernandinho Beira-Mar).