A teimosia da “militância mortadela” em distorcer os fatos para embasar seus propósitos espúrios parece não ter limites. Dentre outras asnices, essa caterva de lobotomizados, acompanhada de gente da CUT, do MTST e da UNE, deve cercar a 13ª Vara Federal de Curitiba no próximo dia 3, quando Lula o líder máximo da ORCRIM e autodeclarada “alma viva vai honesta do universo” irá depor ao Juiz Sérgio Moro. E a ordem do dia parece ser protagonizar a maior arruaça possível, visando constranger o Juízo e obstar a prisão do molusco mutante, que ora vira jararaca, ora crocodilo “de goela muito aberta”. Para sinapses estreitas como costumam ser as de esquerda, reconduzir sua insolência ao Palácio do Planalto é a única chance de salvar o país da crise que o próprio Lula e o PT criaram com seu espúrio projeto de poder.

O fim de Lula e do PT são favas contadas e vem sendo anunciado há tempos. Agora, à luz de novos fatos revelados pela Delação do Fim do Mundo (que resultaram em mais 8 pedidos de investigação contra sua insolência), espera-se ao menos uma condenação em primeira instância até o final do mês que vem; Lula, vale lembrar, já é réu em cinco ações penais, três pela Operação Lava-Jato, uma pela Janus e uma pela Zelotes, além de ser investigado em outros inquéritos.

Digam o que disserem os defensores contumazes do ex-presidente petralha, gente sabidamente fanática e de sinapse estreita, as delações dos executivos da Odebrecht deixam claro que a autoproclamada “alma viva mais honesta da galáxia” e seus familiares se beneficiaram (e muito) dos ilícitos, e que a postura de “defensor da ética” que levou o petralha à presidência foi abandonada logo em seguida ― como comprova o escândalo do Mensalão, que estourou em 2005, pouco mais de um ano depois do início da primeira gestão lulopetista. 

Mas os fatos, sempre teimosos, escancaram a impostura. De acordo com o príncipe das empreiteiras, Marcelo Odebrecht, o ex-presidente chegou a registrar um saldo de R$ 40 milhões em sua conta-propina ― que era administrada pelo ex-ministro Antonio Palocci ―, e sacou, no mínimo, R$ 30 milhões em dinheiro vivo, conforme antecipou ISTOÉ com exclusividade em reportagem de capa de novembro de 2016. Também teve mesada em espécie para o irmão, o Frei Chico, pixuleco para o sobrinho, Taiguara Rodrigues, jabaculê para o filho caçula, Luís Cláudio, sem falar no pagamento de despesas estritamente pessoais, como a reforma do sítio de Atibaia, na aquisição de imóveis para uso particular e no dinheiro para a instalação do Instituto batizado com o seu nome. Nem mesmo as famosas palestras sobrevivem incólumes: Alexandrino Alencar, o homem de Lula na Odebrecht, contou aos procuradores que as palestras de US$ 200 mil ― padrão Bill Clinton ― foram uma maneira de compensar a ajuda do petista à empreiteira durante seus dois mandatos. Hoje, é quase um consenso entre procuradores e agentes federais que quase todo dinheiro amealhado por Lula nos últimos 13 anos foi produto de crime.

A pá de cal, acredita-se, serão os depoimentos de João Santana e Monica Moura e do empresário Leo Pinheiro, dono da OAS ― empresa que bancou as obras do edifício Solaris, no Guarujá, a suntuosa reforma do triplex de Lula e a armazenagem do butim que o corsário vermelho pilhou ao longo de seu governo e trouxe de Brasília quando passou o comando da rapinagem para sua pupila e sucessora, a ex-grande-chefa-toura-sentada, ora impichada e alvo de pelo menos duas investigações baseadas na Delação do Fim do Mundo.

Ontem, o casal de marqueteiros confirmou ao juiz Moro que negociou com Antonio Palocci pagamentos de caixa 2 nas campanhas do PT para a reeleição de Lula, em 2006, e de Dilma, em 2010 - veja detalhes neste artigo . Pinheiro, que foi preso pela segunda vez pela Lava-Jato e se levado para Curitiba, deve adiantar amanhã, em seu depoimento, parte do que promete entregar em um possível acordo de colaboração. Ele deve focar na ação que envolve a reforma do triplex de Lula (que Lula diz ser de um amigo, o que agora faz sentido, pois “amigo” era seu codinome na planilha de propinas da Odebrecht), processo em que o empresário e o petralha se tornaram réus no ano passado. As tratativas da delação, vale lembrar, haviam sido suspensas por Janot depois do vazamento de informações sobre uma suposta reforma na casa do ministro do STF Dias Toffoli. A OAS teria participado também da reforma do famoso sítio Santa Bárbara, em Atibaia, do qual Lula também nega ser o dono.

Por essas e outras, Lula antecipa sua candidatura ao Planalto. A ideia é transformar uma decisão eminentemente jurídica numa contenda político-ideológica, constranger o Judiciário sob o pretenso argumento de que ele está sendo vítima de táticas de lawfare (guerra jurídica) e, por isso, “quem deve julgá-lo é o povo”. Mais uma vez, o sujeito quer se colocar acima da Lei, mas a era dos privilégios parece ter acabado, assim como o encanto de boa parte da população que um dia depositou suas mais sinceras esperanças no governo petista. Mesmo assim ― pasmem ―, algumas pesquisas de opinião garantem que sua insolência chegaria ao segundo turno, embora também revelem que a rejeição em torno de sua pessoa passa dos 50%. Coisas do Brasil.