Visando livrar Lula das garras da Lava-Jato, seus advogados recorreram (mais uma vez) ao Supremo. Não para contestar as acusações do Ministério Público Federal ― talvez porque seja difícil defender o indefensável ―, mas para questionar a imparcialidade de Sérgio Moro e dos procuradores que ofereceram a denúncia. E o resultado não fugiu ao esperado: na última terça-feira, por 4 votos a 0, a 2ª Turma do STF ratificou a decisão do ministro Zavascki, relator dos processos da Lava-Jato, que manteve três inquéritos contra o petralha na 13ª Vara Federal de Curitiba, sob a batuta do magistrado que povoa seus piores pesadelos.

Pesadelo é pouco. De uns tempos a esta parte, a autodeclarada “alma viva mais honesta do Brasil” vive um inferno astral de proporções épicas, e, em meio a esse torvelinho, tenta convencer o Brasil e o mundo de que é um herói.

Lula se tornou réu sob a acusação de ter praticado crimes de corrupção e lavagem de dinheiro; os dois ministros da Fazenda que teve em seus oito anos de mandato foram presos (também por suspeitas de assaltar o Erário); está na cadeia (há mais de um ano) o maior empreiteiro de obras públicas do Brasil ― com quem o petralha mantinha relações íntimas; foram ou estão presos três ex-tesoureiros do seu partido, o amigo pessoal que tinha acesso irrestrito ao gabinete presidencial e altos executivos da Petrobras com que despachava diretamente; sua mulher tornou-se ré junto com ele, seus filhos estão sob investigação criminal, sua própria liberdade depende de um juiz de direito do Estado do Paraná e ― cereja do bolo ― a meteórica ascensão patrimonial de um sobrinho torto (*) vem jogar ainda mais bosta na Gení.

Como dizia o poeta, não há nada como o tempo para passar. Hoje, o cara que um dia foi chamado de “O CARA” por Barack Obama amarga uma queda de popularidade quase tão acentuada quanto a de Dilma em seus piores momentos, e vê sua tão propalada influência ser pulverizada derrota após derrota ― como no impeachment de sua sucessora, quando Lula não conseguiu reunir proxenetas do parlamento suficientes para reverter o cenário propício à condenação, ou, para citar exemplos mais recentes, quando não conseguiu reeleger vereador o filho torto Marcos Cláudio Lula da Silva em São Bernardo do Campo (SP), berço político do molusco abjeto e um dos municípios tidos como reduto do lulopetismo (mais detalhes nesta postagem). Isso sem mencionar o parecer do ministro TCU José Mucio Monteiro ― que Lula dizia ser “seu amigão” ―, recomendando ao Senado a rejeição das contas do governo Dilma em 2015.

(*) Com base em evidências de propina de R$ 20 milhões mascarada em contratos firmados entre a Odebrecht e a Exergia ― empresa de Taiguara Rodrigues, o tal sobrinho torto de Lula ― a PF indiciou (mais uma vez) o “titio” por corrupção (para mais detalhes, siga este link). No papel, Taiguara é filho de Jacinto Ribeiro dos Santos, o Lambari, amigo de Lula e irmão de sua primeira mulher, já falecida, mas o nepotismo se deu por afinidade, e a Odebrecht cimentou a relação.

Como bem disse o jornalista J.R. Guzzo, “Lula vem com a moral antes de contar a fábula”. A moral que ele apresenta é algo mais ou menos assim:

No Brasil, um homem que quer governar para os pobres acaba sendo processado pela Justiça.

E a fábula que levaria a essa moral, ele não conta, mas nem precisa, porque todos a conhecemos, qual seja a teoria abilolada segundo a qual os ricos brasileiros detestam os pobres por alguma tara patológica; não toleram, sequer, que eles viagem de avião. Como Lula governa só fazendo o bem para os pobres, a começar pelas viagens de avião, os ricos precisam destruir sua carreira política. Primeiro derrubara sua sucessora na presidência, para que ele ficasse desmoralizado, e agora querem que ele seja condenado e preso, para que não possa disputar e ganhar as eleições em 2018 ― ainda que, como vimos linhas atrás, não conseguiu nem mesmo reeleger seu vereador seu filho torto em SBC, que é berço do PT.

Faz sentido para você?  

Em tempo:

Lula não está na Flórida, mas não faltam nuvens ameaçadores sobre sua cabeça. Além do que eu já mencionei linhas atrás, os bens que o petralha guarda num cofre do Banco do Brasil serão examinados, por determinação de Moro, para que seja determinada a origem do butim ― ou seja, se existem itens que pertencem ao acervo da Presidência da República. Demais disso, o magistrado concedeu à defesa do petralha 5 dias para apresentar a defesa no caso do tríplex do Guarujá (os advogados queriam 55 dias, conforme eu comentei em outra postagem). Veja o excerto do despacho:

"Não há nenhuma base legal para essa pretensão e o prazo do Ministério Público Federal para oferecer a denúncia, de quinze dias, após a conclusão do inquérito, não tem qualquer relação com o prazo para a resposta preliminar, peça bem menos complexa e que não se presta ao esgotamento das alegações das partes. Indefiro o pedido de prazo adicional formulado pela defesa de Luiz Inácio Lula da Silva e Marisa Letícia Lula da Silva. Como o prazo vence na presente data (5 de outubro), concedo, por liberalidade e já que pende a citação de outros acusados, mais cinco dias, contados da presente data”.

E mais: O STF decidiu, por 6 votos a 5, pelo cumprimento da pena depois do julgamento em segunda instância, estreitando o horizonte de Lula e distinta companhia. Para o blogueiro Josias de Souza, do portal UOL, submetido aos rigores jurisdicionais de Moro, o ex-presidente será recolhido a um presídio se eventual sentença condenatória prolatada pela 13ª Vara Federal de Curitiba for confirmada pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região. Nessa hipótese, mesmo que recorra aos tribunais de Brasília, o molusco terá de aguardar atrás das grades o desfecho da apelação. O julgamento foi apertado e a presidente do STF, Cármen Lúcia, foi responsável pelo voto decisivo. Votaram a favor da execução antecipada da pena os ministros Luiz Edson Fachin, Luís Roberto Barroso, Teori Zavascki, Luiz Fux, Gilmar Mendes e a presidente Corte; votaram contra (e foram vencidos) os ministros Marco Aurélio Mello, Rosa Weber, Dias Toffoli, Ricardo Lewandowski e Celso de Mello

Pois é...