O juiz Sergio Moro autorizou a oitiva das 87 testemunhas arroladas pela defesa de Lula, desde que o acusado esteja presente em todas as audiências. Veja trecho do despacho:

 “Já que este julgador terá que ouvir oitenta e sete testemunhas da Defesa de Luiz Inácio Lula da Silva, além de dezenas de outras, embora em menor número arroladas pelos demais acusados, fica consignado que será exigida a presença do acusado Luiz Inácio Lula da Silva nas audiências em que serão ouvidas as testemunhas arroladas por sua própria Defesa, a fim prevenir a insistência na oitiva de testemunhas irrelevantes, impertinentes ou que poderiam ser substituídas, sem prejuízo, por prova emprestadas”.

O magistrado autorizou a dispensa de todos os acusados nas audiências de oitiva das testemunhas de acusação e nas audiências de oitiva das testemunhas arroladas pelas demais defesas. “Fica, porém, indeferida a dispensa da presença dos acusados nas audiências de oitiva das testemunhas arroladas por suas próprias defesas. Em outras palavras, os acusados deverão comparecer pessoalmente nas audiências destinadas à oitiva de suas próprias testemunhas”, ordenou.

Em defesa prévia, em 26 de janeiro, a defesa de Lula havia convocado 52 testemunhas. Em 23 de fevereiro, em nova manifestação, arrolou mais 35. Na lista do petista estão o ex-presidente do BNDES Luciano Coutinho, o empresário Jorge Gerdau, dois senadores, dois deputados federais, o Ministro da Fazenda e um Ministro do TCU. Moro declarou que “é absolutamente desnecessária a oitiva de todas as testemunhas” e que, em outra ação penal na qual o petista é réu, a defesa desistiu “de várias dessas mesmas testemunhas, inclusive durante a própria audiência”.

Enquanto isso, a batata do capo di tutti i capi continua assando: em depoimento de cerca de duas horas ao juiz Sergio Moro, nesta quinta-feira, 20, o ex-ministro (dos governos Lula e Dilma) Antonio Palocci “pediu licença” para afirmar que está à disposição da Justiça para “falar sobre tudo”. Mais especificamente, disse que pode entregar fatos, “com nomes, endereços e operações de interesse da Lava Jato”. A declaração do homem forte dos governos petistas ocorre num momento em que crescem os rumores de que ele está disposto a fechar um acordo de colaboração premiada com a força-tarefa Lava-Jato.