Parafraseando Abraham Lincoln; “pode-se enganar uma pessoa por muito tempo, alguns por algum tempo, mas nunca todos por todo o tempo”.

A história do operário pobre e trabalhador que se elegeu presidente para combater a corrupção e defender o trato da coisa pública ― e que dizia que “ser honesto é mais do que apenas não roubar, é não deixar roubar” ― já não convence ninguém, com a possível exceção da militância fanática e divorciada da realidade que ainda o defende. Afinal, não há nada como o tempo para passar, e hoje se sabe que o discurso com que o petista defendia seu projeto de governo não passava de um espúrio projeto de poder que visava sequestrar o Brasil e mantê-lo sob o jugo do partido por pelo menos 20 anos. Durou 13 ― ironicamente, o número do PT.

Treze anos, quatro meses e doze dias transcorreram da posse de Lula, em 2003, até o afastamento de Dilma, em maio deste ano, convertido em deposição 111 dias depois, embora o julgamento tenha sido maculado por uma maracutaia ― que contou com o apoio do presidente do Senado e o aval do então presidente do Supremo ― para evitar a inabilitação da imprestável ao exercício de funções públicas, em flagrante desrespeito à Constituição.

Lula e o PT nunca tiveram um plano de governo, mas sim plano de poder que se valeu de práticas espúrias para enriquecer o petralha e abastecer a conta do partido, visando a sua perpetuação no comando do país. A desfaçatez de seu governo veio à tona com o escândalo do mensalão ― do qual Lula afirmou que nada sabia, que fora traído, e cuja existência teve a desfaçatez de negar mais adiante, afirmando que “o mensalão nunca existiu, que tudo não passou de uma tentativa de golpe”. Mas a canalhice não só existiu, como também deu origem a outra ― que ficou conhecida como escândalo do petrolão ―, na qual empreiteiras que possuíam contrato com a Petrobras eram cooptadas por um esquema criminoso a repassar dinheiro de corrupção para os partidos da base aliada. Ao puxar o “fio do novelo”, a PF e o Ministério Público demonstraram que o ex-presidente era, na definição do procurador Deltan Dallagnol, o “maestro da grande orquestra da Propinocracia”, sob cuja batuta os desvios de recursos públicos não serviram apenas para abastecer o PT e partidos da base aliada do governo, mas também para enriquecer o Clã Lula da Silva.

Por essas e por outras, o maior expoente da política brasileira, que até pouco tempo atrás era ovacionado por onde passava, agora é vaiado em público, embora continue teimosamente negando ser o dono do tríplex no Guarujá e do sítio em Atibaia, a despeito da clareza meridiana dos fatos que o colocam no centro de um esquema de corrupção nunca antes visto na história deste país. Visando impedir as investigações, o petralha chegou mesmo a ser nomeado ministro por Dilma, mas teve as asas podadas pelo STF, por conta do desvio de finalidade do ato administrativo que resultou em sua nomeação. Até agora, Lula é réu em dois inquéritos e investigado em pelo menos mais três. Seu nome aflora alegremente nas delações de Delcídio do Amaral, Pedro Corrêa, Nestor Cerveró, Fernando Baiano, José Carlos Bumlai e Leo Pinheiro, apenas para citar as mais significativas, bem como em diversas ramificações da Lava-Jato que nem vou enumerar, já que tratei desse assunto em diversas postagens.    

Por essas e outras, fica difícil entender como ainda tem gente que defende o petralha e a corja de malfeitores que o apoiaram em seu intento. Uma das razões talvez seja o fato de o salafrário ainda ser bom de palanque. Mas a questão é seu destino não será definido pelas urnas, mas pelos Tribunais. E não há João Santana que ludibrie os “meninos de Curitiba”, o juiz Sergio Moro e as demais instâncias do Judiciário ― que trabalham com fatos, e não com política, como parece crer o ex-presidente. E os fatos depõem fortemente contra ele.