Antes de entrar no tema central desta matéria, cumpre fazer um rápido balanço das manifestações que ocorreram ontem, 31 de julho, tanto em favor quanto contra o impeachment da anta petralha ― cujo julgamento está previsto para o final deste mês. Os atos contrários a Dilma ocorreram em pelo menos 20 estados, e os favoráveis a ela ― ou em repúdio ao presidente interino ―, em pelo menos 14 estados. O número de participantes foi bem inferior ao registrado nos protestos anteriores, mas, ao que parece, a quantidade de “coxinhas” superou a de “mortadelas”, tanto no cômputo geral quanto caso a caso.

Segundo a Folha, desta vez o MBL e o VEM PRA RUA ― principais organizadores dos atos contrários a Dilma ― não trabalharam em conjunto. Aliás, o MBL ― que, diferentemente do PT, da CUT, do MST e deplorável companhia, não reúne “militantes”, mas sim mobiliza a sociedade civil ― já previa baixa adesão, até porque ontem foi último domingo das férias escolares, daí seus líderes acharem melhor focar os esforços num ato a ser realizado mais adiante, às vésperas ― ou no próprio dia ― da votação do impeachment.

Voltando à vaca fria, vocação para comediante é uma das muitas “qualidades” de Dilma (detalhes nesta postagem), mas é inegável que, eclética, ela também leva jeito para o drama, e que, de uns tempos a esta parte, sua vida tem sido uma tragédia.

Faltando menos de um mês para o julgamento final do impeachment e com grandes chances de perder definitivamente o cargo ― para o qual não foi talhada e jamais deveria ter assumido ―, a petralha é investigada pela Lava-Jato, que apura seu envolvimento num plano maquiavélico para soltar empresários envolvidos no escândalo do Petrolão (com destaque para Marcelo Odebrecht, o “Príncipe das Empreiteiras”) e por tentar obstruir a justiça nomeando Lula ministro-chefe da Casa Civil, o que lhe concederia direito a foro privilegiado e o tiraria do alcance do juiz Sergio Moro.

Comediante involuntária, cínica doentia e mártir de circo, Dilma afiram ter sido torturada na ditadura militar, eleita presidente pelo voto popular, não ter conta na Suíça e não ter autorizado o caixa 2 denunciado por João Santana na Lava-Jato (veja mais detalhes nesta matéria).

Observação: Pupila de Lula também na arte da malandragem, mas longe de ter a mesma competência do mestre nesse mister, Dilma vem ajustando seu discurso de acordo com as apurações da Lava-Jato. Há cerca de um ano, ela afirmou: “Eu não aceito e jamais aceitarei que insinuem sobre mim ou a minha campanha qualquer irregularidade (...) porque não houve”. De lá para cá, no entanto, suas negativas foram ganhando um tom cada vez mais baixo. Há duas semanas, depois que João Santana e sua mulher admitires ter recebido dinheiro via caixa 2 da campanha de 2010, disse a afastada: “Não autorizei pagamento de caixa 2 a ninguém. (...) Se houve, não foi com meu conhecimento”. Cinco dias depois, nova justificativa: “Minha campanha não tem a menor responsabilidade sobre em que condições foi paga a dívida remanescente da campanha de 2010. (...) Ele (João Santana) tratou desse assunto essa questão com a tesouraria do PT.” Ou seja, em pouco tempo, a negativa da existência de dinheiro sujo saltou do “eu não sabia” e pousou no “a culpa é do partido”.    

Cada vez menos convincente, portanto, o ramerrão que repetem ela própria e seu esbirro José Eduardo Cardozo ― aquele que afirmou ter absoluta convicção de que a campanha da presidente não recebeu um centavo sequer de caixa 2”.

Observação: Vale citar aqui uma analogia feita por Augusto Nunes em sua coluna: Marlene Dietrich, uma das maiores divas do cinema na primeira metade do século XX, fez um teste em que se achou perfeita, mas não convenceu o diretor. “Mas se eu até chorei”, disse ela. “Pois é, mas eu não”, respondeu ele. Se até a diva alemã teve seus momentos inconvincentes, que a diva canastrona do petrolão se console quando Sérgio Moro a condenar.

Na semana passada, mediante nota à imprensa, Dilma tornou a se valer de argumentos falsos para justificar as mordomias ilegais que privilegiam a filha Paula Rousseff, o genro Rafael Covolo, e seus netos, que, segundo matéria publicada pela ISTOÉ, têm à disposição uma frota de oito carros oficiais de representação (todos blindados e autorizados a circular com placas frias) e um staff formado por 16 profissionais, entre motoristas e seguranças. A reportagem constatou que esse aparato, pago pelos contribuintes, é usado pelos familiares da petista em atividades corriqueiras, como idas ao cabelereiro, ao petshop e à escola, e custam cerca de R$ 300 mil mensais ― em junho, foram R$ 13 mil gastos somente com combustível.

Dilma gosta de exaltar que nunca se beneficiou da coisa pública. É preciso, então, que sejam esclarecidas estas graves denúncias”, diz o presidente do DEM, senador Agripino Maia. Na semana passada, depois da revelação feita por ISTOÉ, a afastada tentou explicar a mamata. Em nota, ela não negou que o staff pago com dinheiro público esteja a serviço de sua filha e de seu genro, mas procurou dar ares de legalidade, citando uma série de leis e decretos. O problema é que basta uma leitura atenta às leis mencionadas para concluir que a mordomia dada aos Rousseff é ilegal.

A petista diz que o inciso VII do artigo 6º da Lei 10.683, de 28 de maio de 2003, garante que os familiares do presidente da República e do vice-presidente tenham segurança fornecida pelo Estado. É verdade. A lei sancionada por Lula garante que os filhos de presidente tenham direito a segurança. Mas, ao contrário do que afirma a mulher sapiens, o texto não prevê o uso de carros oficiais para fazer o transporte da família presidencial, muito menos de um presidente afastado de suas funções.

Em tese, só a escolta para segurança seria permitida, e, ainda assim, no caso de risco iminente à integridade.

Em outro trecho da nota, Dilma invoca o artigo 5º do decreto 6.403. Novamente, equivoca-se. O decreto prevê o uso de veículos de “transporte institucional” aos parentes do presidente, em ocasiões especiais. Na verdade, Paula Rousseff e o marido usam outro tipo de serviço, o de “carros de representação”. Os carros do chamado serviço institucional são veículos comuns, com identificação de “a serviço do governo federal” nas portas. Já os veículos de representação são os chamados vips. São carros blindados com placas frias. Esses últimos, segundo artigo omitido por Dilma, são utilizados exclusivamente pelo presidente da República, pelo vice-presidente, pelos Comandantes das Forças Armadas e por ex-presidentes ― categoria que os parentes dela não se encaixam. Para juristas ouvidos pela reportagem, os familiares de Dilma e aqueles que liberaram a mordomia podem ser responsabilizados nas esferas criminal e cível.

Para fechar com chave de ouro, José Ricardo Antoni, assessor especial da Presidência da República, pediu demissão do cargo. De acordo com matéria publicada em VEJA desta semana, o servidor repassava informações privilegiadas a uma agência de publicidade que ganhou vários contratos milionários durante o governo Dilma. Informado da reportagem, Temer pediu explicações ao servidor, que admitiu que prestava serviços à agência e pediu demissão. Emails trocados entre os diretores da tal agência revelam que o Palácio do Planalto achacava empresários durante a campanha presidencial de 2014.

E tem quem sobe nas tamancas quando a gente diz que o PT não é um partido político, mas sim uma facção criminosa da pior catadura. Vade retro!