Em 2005, para escapar do Mensalão, Lula entregou Dirceu.

No ano seguinte, para tirar o seu da reta do Escândalo dos Aloprados, entregou as cabeças que pode, inclusive as do ex-ministro Antonio Palocci e do coordenador de sua campanha à reeleição, Ricardo Berzoini.

Não espanta, portanto, que tenha entregado a ex-primeira-dama no depoimento ao juiz Moro, no último dia 10 (para assistir à gravação das mais de 4 horas de depoimento, clique aqui). Mesmo porque, tendo falecido em fevereiro passado, a companheira e cúmplice por mais de 40 anos ― e corré naquele processo ― já não poderia contradizê-lo. De resto, como sempre fez e faz, Lula negou o pode negar, reconheceu o que não tinha como negar e tocou o velho e arranhado disco do “não sei, não me lembro, nunca vi nem ouvi falar”.

De migrante nordestino pobre e analfabeto, o molusco passou a metalúrgico, perdeu o dedinho num “acidente de trabalho” pra lá de suspeito, entrou para a política, fundou o PT, disputou (e perdeu para Franco Montoro) o governo do Estado de São Paulo, elegeu-se deputado federal, foi derrotado por Collor na eleição presidencial de 1989 e por FHC em 1994 e 1998, elegeu-se em 2002, reelegeu-se em 2006, fez sua sucessora em 2010 e deixou o Planalto com a popularidade nas nuvens (mal sabia ele que Dilma afundaria o Brasil na maior crise da sua história e seria impichada antes de completar o segundo ano de sua segunda e ainda mais desastrosa gestão).

Lula está prestes a se tornar réu pela sexta vez. Além de dois processos em que é acusado de corrupção passiva e lavagem de dinheiro, que tramitam na 13ª Vara Federal de Curitiba, ele responde a mais três ações penais ― por obstrução de Justiça, organização criminosa, lavagem de dinheiro, corrupção passiva e tráfico de influência ― na Justiça Federal do DF.

Como se tudo isso não bastasse, o mentecapto tem o desplante de dizer que a Lava-Jato é uma palhaçada. Durante o Congresso do PT, vociferou que “está na hora de parar de palhaçada”, que “o país não aguenta mais viver nessa situação, nesse achincalhamento”. E atacou também Joesley Batista: “um canalha de um empresário diz que fez uma conta no exterior para mim e para Dilma, mas a conta está no nome dele e ele que mexe na grana”. Quem mexia na grana ― e Lula sabe muito bem disso ― era Guido Mantega. E os extratos bancários vão mostrar exatamente quando ele mexia e de que maneira.

E o cara ainda quer votar a ser presidente. Só se for Presidente Bernardes! Enfim, se desejos fossem cavalos, os mendigos cavalgariam.