O feriadão da independência adentra pelo final de semana prolongado, e eu sigo aqui, na linha da vergonha nacional, escândalo após escândalo ― sempre que a gente acha que já viu de tudo, surge um fato novo, ainda mais estarrecedor, para provar que estamos enganados. E mais estarrecedores são os detalhes, os pequenos senões que nos escapam quando olhamos somente a grande figura. E, como diz um velho ditado alemão, o Diabo mora nos detalhes.

Ninguém precisa ser um gênio investigativo para inferir que sempre houve algo de podre por trás do projeto de poder do PT e de seu folclórico líder ― ora hexa-réu e virtual hóspede compulsório do sistema penal brasileiro ―, nem tampouco clarividente para intuir que um governo chefiado por um “poço de virtudes”, como Dilma, não poderia daria certo. Difícil mesmo é atinar com o motivo que levou o molusco eneadáctilo a aturar sua criatura por tanto tempo; especula-se que ela sabia demais, pois, como revelou Palocci em recente depoimento ao juiz Moro, desde os tempos em que foi nomeada ministra de Minas e Energia, no primeiro reinado de Lula, a anta vermelha passou a participar ativamente dos malfeitos orquestrados pelo populista parlapatão e seus paus-mandados.

Palocci está negociando um acordo de delação com a força-tarefa da Lava-Jato, e o que sabe sobre a dinastia petista é nitroglicerina pura, a julgar pelo que já revelou espontaneamente ― as informações prestadas até agora são apenas o aperitivo, a refeição completa vem depois, em troca dos tradicionais benefícios da colaboração premiada. Mesmo assim, o ex-ministro de Lula e Dilma reconheceu ser o “Italiano” das planilhas do departamento de propina da Odebrecht, confessou ter praticado crimes na Petrobrás e entregou tanto o repulsivo mestre quanto a abjeta pupila ― a despeito da clareza meridiana das evidências, ambos insistem em negar todas as acusações, protestando inocência num batido ramerrão que, convenhamos, já encheu o saco.

Palocci afirmou que foi responsável pela conta do PT e de Lula com a Odebrecht, confessou o esquema, citou reuniões com o ex-presidente e estimou que a reserva do PT teria alcançado R$ 300 milhões, dos quais a cota-parte de Lula, identificado como “Amigo”, chegou a R$ 40 milhões. Segundo o depoente, houve um acerto entre Odebrecht e o governo Lula para a prática de atos de ofício que beneficiassem a empresa em troca de um “pacote de vantagens”, ou seja, a facilitação de negócios para empresa em troca de valores para o partido. Ele lembrou que a eleição de Dilma trouxe incertezas para a cúpula da Odebrecht, que, visando comprar a boa-vontade do novo governo, sobretudo a influência de Lula na gestão da sucessora, a montou o tal “pacote” com o proverbial terreno para a instalação do Instituto Lula, o igualmente notório Sítio Santa Bárbara, em Atibaia, além de cerca de R$ 300 milhões em vantagens indevidas ― para utilização em campanhas ou para fins partidários/pessoais.

O mais estarrecedor nisso tudo nem são os valores ― perto dos R$ 51 milhões encontrados no tal apartamento que o ex-ministro Geddel usava bunker, isso é fichinha ―, mas a cara-de-pau dessa corja, que insiste em negar as evidências, e a “ingenuidade” de seus baba-ovos, que parecem acreditar em sua sacrossanta inocência. Mas se tem gente que ainda acha que Elvis não morreu...

Boa sexta-feira a todos e bom feriadão para quem não dá expediente nesta data feliz.