Depois que o dono da JBS ofereceu à Justiça a gravação em que Temer avaliza a compra do silêncio de Eduardo Cunha e indica o deputado Rodrigo Loures para resolver uma pendência do grupo, o governo que se arrastava passou a agonizar (veja mais detalhes na minha postagem desta manhã).

Temer não foi o único atingido por essa delação ― que, curiosamente, foi negociada em menos de 3 meses, enquanto a da Odebrecht levou 10 meses e a da OAS se arrasta há mais de um ano ―, que já foi homologada pelo ministro Edson Fachin. A caca respingou também em Aécio Neves, que teria pedido (e recebido) R$ 2 milhões da JBS para pagar os advogados encarregados de sua defesa. Fala-se também que Joesley Batista teria injetado R$ 60 milhões na campanha do tucano à presidência, além de comprar o apoio de partidos políticos. Hoje pela manhã, a irmã de Aécio e seu primo Frederico Pacheco de Medeiros, o Fred ― que teria sido filmado recebendo o dinheiro da propina ― foram presos em BH. Aécio foi afastado pelo ministro Fachin, que não pediu sua prisão preventiva. O plenário do Supremo deve se pronunciar a qualquer momento sobre a situação do senador e presidente do PSDB.

Espera-se também um pronunciamento de Temer, que está reunido desde cedo com assessores. Rodrigo Maia também foi chamado para essa reunião, e como é ele quem assumirá a presidência no caso de Temer deixar o cago, há muita especulação sobre a possibilidade de renúncia (talvez Temer tenha a grandeza de tomar essa atitude, coisa que Dilma não fez, mas isso já é outra história). Ainda não se sabe a que horas isso vai acontecer, mas supõe-se que aconteça dentro das próximas horas.

Como não poderia deixar de ser, esse monumental imbróglio convulsionou o país. A Bovespa caiu quase 10 pontos, e o dólar subiu feito rojão. O Congresso está paralisado e as discussões sobre as reformas (da Previdência, Trabalhista, etc.) foram suspensas. Para a maioria dos analistas, o governo ruiu. Temer deveria renunciar, uma eleição indireta deveria ser realizado no prazo de 30 dias, como manda a Constituição, e novos presidente e vice deverriam completar o mandato de Temer, que termina em dezembro do ano que vem (com os parlamentares que temos, é uma calamidade, mas enfim...).

Em tese, nada disso deveria afetar o julgamento chapa Dilma-Temer pelo TSE, marcado para o próximo dia 6. Na prática, todavia, a teoria é outra; a decisão dos magistrados certamente será contaminada pelos fatos acachapantes que vieram à luz na noite de ontem ― e continuam a brotar feito merda de privada entupida.

O jeito é acompanhar o desenrolar dos acontecimentos. Volto a postar atualizações assim que houver novidades relevantes.