Em resposta aos advogados de Luiz Inácio Não-Sei-De-Nada da Silva sobre a questão dos grampos telefônicos, o juiz Sérgio Moro ponderou que havia elementos suficientes para decretar a prisão temporária do petralha, embora tenha optado pela condução coercitiva ― segundo ele, uma medida “menos gravosa”. Quanto à suposta ilegalidade na obtenção das gravações e o uso das mesmas de maneira “parcial”, disse o magistrado em seu despacho: “Rigorosamente, a interceptação revelou uma série de diálogos do ex-presidente nos quais há indicação, em cognição sumária, de sua intenção de obstruir as investigações, como no exemplo citado, o que por si só poderia justificar, por ocasião da busca e apreensão, a prisão temporária dele, tendo sido optado, porém, pela medida menos gravosa da condução coercitiva”.

No documento de 15 páginas protocolado na semana passada, Moro afirmou ainda que não abrirá mão do caso e que falta seriedade à argumentação dos advogados do ex-presidente: “Não há nenhum fato objetivo que justifique a presente exceção, tratando-se apenas de veículo impróprio para a irresignação da defesa do excipiente (Lula) contra as decisões do presente julgador e, em alguns tópicos, é até mesmo bem menos do que isso” (veja mais detalhes nesta postagem).

Para refrescar a memória dos mais “esquecidos”, o molusco de nove dedos responde a processos em três capitais, e dois de seus filhos ― o primogênito Fábio Luiz, conhecido como Lulinha, e o caçula Luiz Cláudio ― também são investigados na Operação Lava-Jato. Em Curitiba, duas investigações apuram suspeitas de corrupção, organização criminosa e ocultação de patrimônio envolvendo a compra do famoso sítio Santa Bárbara, em Atibaia (interior de São Paulo), e do não menos notório tríplex 164/A do Edifício Solaris, numa das regiões mais nobres do Guarujá (litoral paulista). Em São Paulo, o Ministério Público pediu a prisão preventiva do petralha sob a acusação de lavagem de dinheiro e falsidade ideológica. Em Brasília, além de duas investigações por crime de obstrução da Justiça ― nas quais ele é acusado de encabeçar a trama que tentou comprar o silêncio do ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró e de urdir sua nomeação para a Casa Civil para obter o direito a foro privilegiado e escapar das sentenças do juiz Sergio Moro ―, o capo di tutti i capi é investigado também por suspeita de tráfico de influência internacional em favor da Odebrecht em países onde a empreiteira desenvolve projetos financiados pelo BNDES.

Embora Lula negue todas as acusações, é cada vez menor o número de apoiadores, correligionários e aliados fiéis que engolem suas bazófias. Basta lembrar a retumbante derrota de Dilma na votação do impeachment na Câmara ― que o aldrabão petralha se empenhou pessoalmente em evitar ― e do vexame que amargou ao tentar aliciar senadores para reverter o processo no Senado.

Mesmo sendo dono de uma invejável fortuna (mais de 30 milhões de reais), o flibusteiro que se diz a alma viva mais honesta do Brasil está cada vez mais só e encrencado. Todavia, devido às proporções astronômicas do seu ego e a uma incontrolável tendência para o proselitismo, ele insiste na retórica patética ― recheada de palavras vazias, clichês e tolices, plena de autolouvação, piadas grosseiras, delírios narcisistas e frases piegas ― que comoveria apenas pré-adolescentes ou amigos encharcados de boa vontade. E olhe lá!

Parafraseando a jornalista Sonia Zaghetto, Lula acredita piamente na imagem que ele e seus aduladores criaram, e acha uma inadmissível falta de respeito ser investigado ou conduzido a depor. Logo ele, tão grandioso, dotado de tal inteligência que chega a mencionar com desprezo os que dedicam longos anos ao estudo. É uma pena não haver entre os seus quem o alerte para os excessos intoxicantes da vaidade que cega. É uma pena ele amar apenas a si mesmo e não ao país, transformando uma parte significativa da população em inimigos sobre quem açula seus cães. É uma pena que ninguém lhe diga, francamente, que o rei está nu, que sua habilidade de comunicação só funciona para os que se renderam à nova forma de fanatismo criada por seu partido e para a parcela da população cuja ausência de educação é louvada como vantagem e não como vergonha. Despido de riquezas morais, o ex-presidente parlapatão passará à história como fanfarrão histriônico; órfão de qualidades éticas, não consegue reconhecer que ultrapassou todos os limites; desabituado à reflexão, não vê além dos limites de suas necessidades básicas; embriagado pela bajulação, não consegue ver nas críticas de milhões de brasileiros a advertência severa para seus excessos.

Amanhã tem mais, pessoal. Abraços e até lá.