Depois de torrar bilhões em emendas parlamentares (cerca de R$ 2 bilhões só em julho, mais do que havia sido empenhado em todo o primeiro semestre) para comprar os serviços das marafonas do Parlamento e enterrar a denúncia da PGR por corrupção passiva, o presidente FrankensTemer continua fiel a seus hábitos noturnos. Na noite do último domingo, ele recebeu o ministro de STF e presidente do TSE Gilmar Mendes no Jaburu. O encontro não contava da agenda oficial de Temer, e embora constasse na de Mendes, só depois de ser questionada pela imprensa é que a assessoria do ministro se dignou de informar que o tema teria sido a reforma política.

Essa não foi a primeira vez que Temer e Gilmar se encontraram fora da agenda oficial. Num jantar na residência do ministro, no final de junho, os dois discutiram a sucessão da PGR ― e poucos dias depois a subprocuradora Raquel Dodge foi indicada para substituir Rodrigo Janot, cujo mandato termina agora em setembro (clique aqui para mais detalhes).

Vale lembrar que o calvário de Michel Temer teve início depois que o jornalista Lauro Jardim trouxe a lume os primeiros detalhes da delação de Joesley, que gravou uma conversa nada republicana durante a reunião clandestina que teve com sua insolência, tarde da noite, no Palácio do Jaburu. Vale lembrar também que, em seu primeiro pronunciamento à nação depois desses fatos terem vindo à tona, Temer afirmou que não renunciaria, e que o inquérito no Supremo seria o território onde surgiriam as provas de sua lisura inatacável, e blá, blá, blá. Pura conversa para boi dormir, como se viu mais adiante, já que o presidente não descansou enquanto não viu a denúncia ser sepultada pelos proxenetas do Parlamento.

Na noite passada, Temer participou de outra reuniãozinha em off, desta feita com a sucessora de Janot na PGR, que deve se renuir com Gilmar Mendes às 19 horas desta quarta-feira ― supostamente para “debater o crime organizado nas eleições”. Dodge declarou que se reuniu com Temer para discutir o planejamento de sua posse, prevista para acontecer no dia 18 de setembro, no Palácio do Planalto. A assessoria do Palácio do Planalto informou que o encontro foi requisitado pela subprocuradora, e que não constava na agenda do presidente porque o pedido foi feito quando este já se encontrava no Jaburu. Detalhe: Raquel Dodge se encontrou com Temer às 22h de terça-feira, no mesmo dia em que o advogado do presidente, Antonio Claudio Mariz de Oliveira, pediu ao STFsuspeição de Janot, alegando que o Procurador-Geral investiga Temer por “motivação pessoal”, e que “já se tornou público e notório” que ele tem “extrapolado em muito os seus limites constitucionais e legais inerentes ao cargo que ocupa”.

Gilmar Mendes também subiu o tom contra o PGR nos últimos dias. Na segunda, em entrevista à Rádio Gaúcha, o ministro disse que Janot é “o procurador mais desqualificado que já passou pela história da procuradoria, que não tem condições, preparo jurídico ou emocional para dirigir um órgão dessa importância”. Na terça, voltou a atacar o trabalho da PGR durante uma sessão da segunda turma do STF, afirmando que as investigações do Ministério Público Federal viraram “terra de ninguém”.