Diante do que foi dito no post anterior, o leitor pode até argumentar que a situação não melhorou. E com razão, pois as coisas não vão bem. Afinal, o atual presidente é Michel Temer, e seu governo não passa de um melancólico terceiro tempo das gestões lulopetistas. Mas é inegável que o cenário mudou. Quando por mais não seja, 2016 valeu pelo funeral político dos que mandaram diretamente no Brasil durante mais de uma década, embora muita gente ― a começar pelas forças que deixaram o governo ― tente vender a ideia de que nada mudou, buscando levar os brasileiros a acreditar numa coleção cada vez maior de impossibilidades materiais.

Faz parte desse múltiplo conto do vigário, por exemplo, a noção de que as pessoas sejam capazes de ficar, ao mesmo tempo, contra Renan e a favor de Lula. Ou de indignar-se com Sérgio Cabral e não levar em conta que ele foi um herói tanto para Lula quanto para Dilma ― homem de admirável coração, segundo um, ou o melhor governador do país, segundo a outra. Dentro da mesma sequência de fábulas, espera-se que levem a sério a informação de que o molusco eneadáctilo continua pobre, mesmo tendo embolsado dezenas de milhões de reais a título de remuneração por palestras a que ninguém assistiu.

Enquanto se mantém por aí, a contrafação das realidades não parece destinada a produzir efeito prático algum. O barulho vai continuar, é claro, até porque é comum as pessoas gritarem mais alto quando percebem que têm cada vez menos fatos a seu favor. Veja o esforço que fazem os advogados de Lula... CONTINUE LENDO EM http://fernandomelis.blogspot.com.br/2017/12/o-que-esperar-de-2018-continuacao.html