Depois da leitura do parecer do deputado Abi-Ackel ― etapa indispensável para que a Câmara possa votar a denúncia contra Michel Temer ―, resta saber o placar desse lamentável jogo de cartas marcadas, onde a vitória do governo é tida como líquida e certa. Embora tenha exigido rios de dinheiro público ― num momento em que falta verba até para a emissão de passaportes e policiamento das estradas federais, para mencionar dois exemplos estarrecedores ―, a compra da relatoria e a dança das cadeiras na CCJ assegurou o parecer favorável ao presidente e um número de votos mais que suficientes para enterrar a enterrar a denúncia contra ele. Mas às favas como o dinheiro; afinal, quem paga é o povo!

Importa mesmo é dizer que essa votação não decidirá apenas se Temer será ou não investigado no Supremo (81% da população são a favor da abertura do inquérito), mas se ele terá ou não apoio parlamentar para tocar as reformas e continuar governando o país até o final do ano que vem ― ou até a próxima denúncia da PGR contra ele, já que não há mais dinheiro para comprar marafonas do parlamento.

A sessão deve ser iniciada às 9 da manhã desta quarta-feira, mas a votação só pode acontecer se e quando houver 342 deputados na Casa. Temer precisa de 172 votos para enterrar a denúncia, ao passo que a oposição só logrará êxito se conseguir 342 apoiadores. A votação será nominal, ou seja, cada deputado dirá, ao microfone, se é autoriza ou não o prosseguimento da denúncia. Diferentemente do que se viu durante o impeachment de Dilma, os parlamentares não poderão justificar o voto ― ou seja, seremos poupados daquele deplorável espetáculo circense em que, antes do sim ou do não os deputados dizem que votam “pela pátria”, “pelo partido”, “pelos queridos eleitores”, “pela democracia”, “pelo bem do Brasil”, “pela família” e outras bobagens que nos cansamos de ouvir durante a votação do impeachment de Dilma).

Para encerrar, uma boa notícia: Lula já é hexa-réu. No apagar das luzes do primeiro dia deste mês de agosto, o juiz Sérgio Moro (finalmente) acolheu a sexta denúncia contra o molusco (para economizar tempo, fica aqui o link para o leitor conferir os detalhes sobre a nova ação penal contra o petralha, que trata do célebre Sítio Santa Bárbara, em Atibaia). Mais quatro denúncias e ele “encosta” no ex-governador fluminense Sérgio Cabral, e aí já não poderá contar nos dedos... bom, deixa pra lá.