Enquanto a Justiça dormita, Lula segue em campanha antecipada, encantando a patuleia ignara com sua versão personalíssima dos fatos que, se isto aqui fosse um país sério, já o teriam colocado atrás das grades. Nesse entretempo, DILMA, A HONESTA, envergonha o povo brasileiro, discursando na Suíça, em francês de galinheiro, seu batido ramerrão de "golpe".

Como bem salientou Guilherme Fiuza, criador e criatura à solta ― posando de inocentes e perseguidos ― legitima a narrativa de que a corrupção é um problema endêmico no Brasil; afinal, os políticos sempre roubaram, a diferença é que agora foram pegos. Na visão de seus incorrigíveis apoiadores, o bandido da história é o juiz Sergio Moro, um fascista que odeia o PT.

Tríplex no Guarujásítio em AtibaiaOAS / Odebrecht / Instituto Lula / Pasadena / Cerveró / Schahin / Bumlai / Vaccari e toda a caudalosa enxurrada de escândalos que a Lava-Jato trouxe à luz nos últimos três anos não passam de mera intriga da oposição. Até a cobertura em São Bernardo do Campo (que, claro, não é dele) já foi sequestrada pela Justiça. Mesmo assim, parece não haver enredo podre que impeça o flibusteiro eneadáctilo de desfilar como candidato a presidente. “Pelo amor de Deus, criem vergonha, não prejudiquem 204 milhões de brasileiros” ―, disse o parlapatão em recente discurso, aludindo à dimensão do prejuízo que, segundo ele, sua eventual condenação teria sobre o povo brasileiro.

ObservaçãoNo primeiro depoimento que prestou como réu, na 10ª Vara Federal de Brasília, Lula negou todas as acusações, exortou as pessoas a ler a Bíblia e parar de usar seu nome em vão e ― pasmem! ― disse não ter ideia de quanto ganha por mês, se R$ 30 mil ou R$ 50 mil, entre aposentadoria, pensão da finada esposa (?!) e repasses feitos pelo LILS e pelo Instituto Lula (vale a pena ouvir a opinião do historiador Marco Antonio Villa). Após o depoimento do petralha, o juiz Ricardo Leite deu prazo de cinco dias para os advogados dos réus e o Ministério Público Federal solicitarem mais alguma diligência. Em não havendo, a acusação e a defesa apresentam as respectivas alegações finais, e os autos ficam conclusos para sentença.

Para a petralhada, a alma viva mais honesta da galáxia deveria depor em Curitiba, no próximo dia 3 de maio, já na condição de pré-candidato, de maneira a inibir o juiz Moro (?!) e reforçar a falácia de perseguição política. No entanto, a carreata da vergonha foi um ato tão descarado de campanha antecipada que até Rui Falcão, presidente nacional da facção criminosa travestida de partido político, achou melhor oficializar a candidatura do chefe num “momento mais oportuno” ― a pretexto de que o partido pretende buscar o apoio de outras forças políticas, embora a verdadeira intenção seja evitar que Lula e o PT sejam multados pela Justiça Eleitoral.

Lula, que de trouxa não tem nada, sabe perfeitamente que sua condenação em primeira instância são favas contadas, e que a confirmação da sentença em segundo grau (estima-se que no primeiro semestre do próximo ano), torná-lo-ia “ficha-suja” e, portanto, impedido de concorrer nas próximas eleições, ainda que não fosse para a cadeia. Por essas e outras, o colunista de IstoÉ Antonio Carlos Prado entende que a prisão de sua insolência é providência para ontem. Para o jornalista ― e eu assino embaixo ―, respeitar o Estado de Direito não significa que a Justiça caminhe a passos de tartaruga, e a prisão do molusco abjeto é justamente a proteção maior que se pode dar ao Estado de Direito, diante das evidências incontestáveis do envolvimento de sua alteza no maior esquema de corrupção da história deste país.

Nesse entretempo, Lula faz da candidatura um escudo: na semana retrasada, ensaiou um discurso “queremista”, afirmando ser candidato porque a população assim o quer (o “queremismo”, que defendia a permanência de Getúlio Vargas no governo, foi mentira em 1945 e é mentira atualmente). Será que a sociedade tupiniquim, que nem se recuperou da ladainha demagógica de que o impeachment era “golpe”, terá de ouvir que Lula foi preso porque ganharia a eleição?

Lula chegou a ser nomeado ministro da Casa Civil de Dilma, no ano passado, numa tentativa desesperada de fugir do juiz Sergio Moro; agora, sua ideia é encastelar-se no Planalto para se homiziar da Justiça ― parafraseando Cícero (103 – 46 A.C.), “QUOSQUE TANDEM ABUTERE CATILINA PATIENTIA NOSTRA? ”

Para justificar seus nababescos honorários (cobrados em dólares por minuto), os advogados do petralha buscam ganhar tempo, arrolando testemunhas inimagináveis e recorrendo a toda sorte de artimanhas para empurrar com a barriga a condenação ― que eles têm como líquida e certa. Mas tudo tem um limite. Para o bem do Estado de Direito e da democracia, urge julgar, condenar e prender sua insolência petralha. E isso é para ontem!