Como era previsto, o Planalto conseguiu barrar a denúncia contra Temer por crime de corrupção passiva. Há cerca de três semanas, a impressão que se tinha era de que a oposição venceria, mas o cenário mudou quando Michel Miguel Elias Temer Luria, como bom descendente de libaneses que é, forrou “o balcom do lojinha” com R$ 2 bilhões em verbas e emendas parlamentares, comprou o parecer favorável ao sepultamento da denúncia na CCJ e garantiu o apoio de uma penca de deputados venais, que agem no Congresso como marafonas na zona do baixo meretrício (com todo o respeito às meretrizes “de verdade”).

Mesmo assim, a batalha não foi fácil. No plenário da Câmara, 172 votos bastavam para sepultar a denúncia, ao passo que eram necessários 342 para autorizar o STF a prosseguir com o inquérito contra o presidente. Sozinhos, o PT e distintíssima companhia não tinham como reunir tantos deputados, e alguns, embora estivessem propensos a votar contra Temer, não o fizeram por determinação expressa de seu partido ou pelo constrangimento de ter a imagem associada à patuleia radical, comandada pelos imprestáveis que pugnam pela volta de Lula ― o hexa-réu condenado a 9 anos e 6 meses de prisão que continua dizendo que participará das próximas eleições, talvez por achar que escapar da cadeia conte como projeto eleitoral.  

Depois de horas de discussões inúteis e de pronunciamentos sem pé nem cabeça, o governo venceu por 263 votos a 227. Embora Rodrigo Maia houvesse limitado a 5 segundos o tempo que cada deputado teria para declarar seu voto, quase todos extrapolaram ― e a maioria com justificativas estapafúrdias, como no impeachment da ex-presidanta, quando os congressistas votavam pela Pátria, por Deus, pela Democracia, pelo respectivo Estado de origem, pelos “queridos eleitores”, pela família, pela sogra, pelo papagaio e o diabo a quatro.

Alguns deputados ― notadamente os de esquerda ― juntavam a seu besteirol o famoso “Fora Temer!” ou faziam remissões ao impeachment da anta vermelha, dizendo que, um ano atrás, aquela mesma Casa afastou do cargo uma “presidanta honesta” e blá, blá, blá. Outros disseram que votavam contra Temer por serem contra as “reformas”, quando o que estava em discussão era a admissibilidade investigação do presidente por crime de corrupção passiva.

Também não faltaram desinformados que justificaram o voto no fato de “as provas serem insuficientes para condenar o presidente”, a despeito de esse julgamento de mérito não ser da alçada da Câmara, e sim do STF ― houve até alguns abilolados que afirmaram ter lido integralmente o libelo acusatório e a defesa, e por isso votavam assim ou assado, embora o discurso deixasse claro que seu nível de instrução jamais lhes permitiria tal proeza. Claro que isso não chega a surpreender num país que foi presidido durante oito 8 anos por um semianalfabeto confesso, mas como a “qualidade dos representantes do povo” reflete o nível intelectual do eleitorado, a conclusão é óbvia.

Enfim, Temer comemorou a vitória ― o que é compreensível, até porque investiu muito tempo e dinheiro para obtê-la, embora a fatura será paga pelo contribuinte. Mas convém a sua insolência tirar esse sorrisinho idiota da cara e se empenhar em trabalhar pelas reformas, para variar, pois o que vem fazendo desde a denúncia de Joesley Batista é cuidar de sua defesa, e não é para isso que nós o pagamos.

Para não estender exageradamente este texto, vou deixar para analisar as consequências da vitória do governo numa próxima postagem.