Conforme eu adiantei no post anterior, Sergio Zveiter, relator da denúncia contra Michel Temer na CCJ da Câmara, recomendou o prosseguimento do processo ― embora ele seja do PMDB, que é o partido de Temer, sua postura “independente” já preocupava o Planalto, e não sem razão, como agora se vê.

Zveiter disse que a acusação é grave e recomendou a necessária autorização para que o processo seja instaurado: “O que está em discussão não é o direito individual do presidente, mas Presidência da República, daí a necessidade de se fazer uma análise criteriosa do conjunto dos indícios colhidos no inquérito. Por tudo o que vimos e ouvimos, não é fantasiosa a acusação. É o que temos e o que deve ser apurado”, disse.

A patuleia festejou, naturalmente. Mas essa caterva é contra Temer por revanchismo. O PT e seus afins querem que ele se exploda porque o têm na conta de “golpista”, “traíra”. E então obstruem votações importantes no Congresso, como a da Reforma Trabalhista e da Previdência, que interessam ao país, independentemente de quem seja o governante de plantão.

Ontem, a bancada da chupeta ― capitaneada pela indefectível presidente do PT e ré na Lava-Jato ― se aboletou na mesa diretora durante seis horas, visando impedir que o presidente do Senado, Eunício Oliveira, tomasse assento e desse andamento à votação da reforma trabalhista. Eunício interrompeu a sessão, cortou o som dos microfones e mandou apagar a luz do Plenário ― e acabou sendo acusado pelas barraqueiras Gleisi Hoffmann, Vanessa Grazziotin e distintíssima companhia de impedir que as mulheres expusessem seu ponto de vista sobre as reformas. Uma vergonha que deverá ser apurada pela Comissão de Ética da Casa, a quem cabe determinará se houve ou não quebra do decoro parlamentar. Mas considerando a posição dessa Comissão no caso de certo senador tucano, que foi afastado por decisão judicial e reconduzido ao cargo depois de alegar que o dinheiro recebido do moedor de carne bilionário era fruto de uma transação entre pessoas, e, portanto, uma operação legal... Sei não...   

A verdade é que se podem contar nos dedos os parlamentares isentos, avessos à corrupção e demais práticas espúrias de governantes e políticos de toda espécie. Ninguém parece preocupado em esclarecer as suspeitas que pairam sobre o presidente da República (que não são poucas) e defender os interesses da nação. Triste Banânia.

Temer disse que respeitará a decisão da CCJ, e que o momento não é para dúvidas ou receios, mas para respostas rápidas. A discussão será retomada hoje e deve se prolongar até o final da semana. Para ser aprovado, o parecer precisa do apoio de 34 dos 66 titulares da comissão. Qualquer que seja o resultado, a denúncia seguirá para o plenário da Casa, onde a votação será nominal (como no impeachment de Dilma, cada parlamentar terá de declarar seu voto abertamente, ao microfone). Para barrar o processo, são necessários os votos de, pelo menos, 172 dos 513 deputados.

A aprovação do texto base da Reforma Trabalhista (por 50 votos a favor e 26 contrários) dá algum fôlego a Temer ― pelo menos é essa a impressão que o Planalto quer passar. O tucanato, como sempre em cima do muro, ainda não decidiu se desembarca ou não do governo. O presidente interino do PSDB, Tasso Jereissati, disse que os parlamentares estão abandonando o governo por conta própria, e o líder da bancada do partido na Câmara, Ricardo Tripoli, que a maioria dos deputados da legenda na CCJ deve votar a favor da aceitação da denúncia apresentada. Tasso, que é favorável ao desembarque imediato, disse na semana passada que o País está à beira da “ingovernabilidade” e que Rodrigo Maia reúne condições para levar a um mínimo de estabilidade até 2018.

Para ler a íntegra da denúncia da PGR, clique aqui; para ler a íntegra do relatório de Zveiter, clique aqui; e para ler a defesa do presidente, clique aqui.