Conforme eu adiantei nesta postagem, não era difícil prever que o tão esperado julgamento da chapa Dilma-Temer acabasse sendo adiado. Relembrando (mais uma vez) o velho Horácio, foi o parto da montanhaPARTURIUNT MONTES; NASCETUR RIDICULUS MUS, no original, ou seja, depois de fazer um barulho ensurdecedor, a montanha pariu um ridículo camundongo. Aliás, outra frase, “menos clássica”, mas que expressa essa ideia de forma magistral ― que eu resolvi evitar porque alguns poderiam considerá-la de mau gosto ― é: “muito peido e pouca bosta”.

Volto a dizer ― e essa é a minha opinião, naturalmente ― que o momento atual não é o mais indicado para depor outro presidente (em menos de 2 anos!), até porque, impopular ou não, Temer é tudo que temos para atravessar a proverbial “pinguela” até a “terra firme” das próximas eleições. Ou alguém que seja minimamente capaz de raciocinar acha que estaríamos melhor na fita se esse Congresso que aí está ― formado majoritariamente por rufiões da pátria, proxenetas do parlamento, corruptos, réus, denunciados e investigados pela Lava-Jato ― escolhesse alguém assumir o leme desta “nau dos insensatos” até o final de 2018?

A meu ver, é fundamental que reformas importantes, como a Eleitoral, a Trabalhista e a da Previdência sigam adiante, por mais impopulares que sejam. E nada como um presidente que não tem muito a perder em termos de popularidade para levá-las. A despeito de sua história pregressa, Temer sonha em ser lembrado como “o cara que recolocou o país nos trilhos do crescimento”, e ainda tem chances de conseguir ― melhor para ele e para o país, já que de nada adianta fazer como o populista boquirroto de nove dedos, que, a despeito de toda a popularidade que amealhou (e que ainda não perdeu por inteiro), institucionalizou a corrupção e arruinou o país ao emplacar uma gerentona imprestável como sua sucessora, e que agora está se borrando todo diante da perspectiva de acabar seus dias na cadeia (tanto ele quanto ela, a bem dizer, já que a situação de ambos se complica a cada dia que passa, digam o que disserem seus seus incorrigíveis admiradores).

Enfim, a previsível suspensão e o adiamento “sine die” do julgamento preocupa o Planalto, não pela mudança do cronograma ― que foi bem vista pelo Planalto, a quem interessa procrastinar o feito até meados do ano que vem, porque a estabilidade política também pesa na decisão dos magistrados, que se sentirão menos motivados a cassar o presidente poucos antes do final de seu mandato. O problema é a reabertura da fase de instrução processual, com a convocação de João Santana, Mônica Moura e André Reis Santana como testemunhas de acusação. “O processo tem começo, meio e fim”, disse Gustavo Guedes, advogado de Temer, que classificou de “inadequada” a decisão de reabrir o processo. Segundo ele, diante da reabertura, "não há como prever o encerramento da ação”. Até onde se sabe, a delação dos marqueteiros foi bombástica, e pode complicar tanto a vida dos ex-presidentes petralhas quanto a situação de Michel Temer. Demais disso, se o prosseguimento do processo ficar para o final de abril ou começo de maio, quando o conteúdo da delação dos executivos e ex-diretores da Odebrecht for de conhecimento público, o impacto nas sessões do TSE será imprevisível.

Punto e basta, como diriam os capi da Máfia Siciliana.