A “Delação do Fim do Mundo” deu origem à “Lista de Janot”, que resultou na “Lista de Fachin”, que caiu como uma bomba no Congresso. Menos pela divulgação dos nomes dos envolvidos ― que já eram conhecidos devido a diversos vazamentos ― e mais pela nova dimensão que o levantamento do sigilo dos depoimentos de Marcelo Odebrecht e de outros ex-diretores do Grupo vêm dando aos fatos, que são ainda mais estarrecedores quando ouvidos da boca dos delatores.

É certo que só teremos uma ideia do real tamanho desse imbróglio depois que cada inquérito for analisado, mas é igualmente certo que, pelo que veio a público até agora, nosso sistema político não tem como se sustentar por muito mais tempo. Isso é ponto pacífico. Por outro lado, convocar eleições “diretas já”, como defendem alguns, não é a solução.

Não que o atual governo seja grande coisa. O fato de vir produzindo resultados, notadamente no âmbito da Economia, chega a ser espantoso, considerando que Temer carece de respaldo popular, está cercado de ministros investigados por práticas pouco republicanas e é dependente de um Congresso que não passa de um covil de corruptos comandado por “Botafogo” e “Índio” ― apelidos pelos quais figuram conhecidos os presidentes da Câmara e do Senado nas planilhas espúrias do departamento de propina da Odebrecht. E são essas lamentáveis figuras, nessa mesma ordem, que responderão interinamente pela presidência da Banânia se a chapa Dilma-Temer for cassada antes do final do mandato de Michel Temer.

Alimentar esperanças de o país melhorar com a deposição do atual presidente seria o mesmo que escrever a Papai Noel e ficar esperando resposta. Rodrigo Maia e Eunício Oliveira são investigados por corrupção passiva e lavagem de dinheiro; Temer só escapou de um inquérito para chamar de seu porque seu cargo lhe confere imunidade provisória. Como dizem os americanos, BETTER THE DEVIL YE KEN THAN THE DEVIL YE DON'T (melhor ficar com o diabo que conhecemos do que o que não conhecemos, numa tradução livre).

E ainda que o povo tomasse vergonha e exigisse o afastamento imediato de todos os ministros, senadores, deputados e governadores sob suspeita ― não se trata de fazer pré-julgamento, mas de exigir um mínimo de moralidade, até porque todos os que investigados que, comprovadamente, não tivessem nada a ver com o peixe seriam prontamente reconduzidos a seus cargos, como acontece em democracias mais civilizadas ―, quem herdaria a coroa e o cetro seria a ministra Cármen Lúcia. Não se nega que ela vem fazendo um bom trabalho à frente do STF, mas daí a achar que se daria bem na presidência da República, num cenário como o atual, é o mesmo que acreditar na Fada do Dente.

A despeito de Temer ter sido conivente com as patifarias praticadas pela anta vermelha e de ter flanado confortavelmente em seu vácuo enquanto era o vice-presidente da Banânia, beneficiando-se dos recursos milionários que propiciaram a reeleição da chapa em 2014, melhor do sair às ruas gritando “Fora Temer” é apoiar seu governo e torcer para que ele realmente consiga aprovar as reformas impopulares, mas indispensáveis, que são o primeiro passo na longa e espinhosa caminhada rumo ao crescimento (caminho do qual o PT nos desviou na última década, por conta de seu ominoso projeto de poder).

Pense um pouco. Se você não for petista, eu prometo que não vai doer.