DUAS COISAS SÃO INFINITAS: O UNIVERSO E A ESTUPIDEZ HUMANA. MAS, EM RELAÇÃO AO UNIVERSO, AINDA NÃO TENHO CERTEZA.

A frase que se lê acima, atribuída a Albert Einstein, é uma pérola de sabedoria, mas eu vou mais além: há pessoas que a gente não sabe se nasceram estúpidas ou se ficaram assim com o passar do tempo. O porquê de eu dizer isso ficará claro no final desta postagem.

Uma das muitas coisas erradas que existem no Brasil é o auxílio-moradia, ou melhor, o uso que vem sendo dele no âmbito do funcionalismo público ― e que revoltou os cidadãos de bem, cumpridores de suas obrigações e pagadores de impostos. Segundo um levantamento feito por Veja junto a 92 tribunais e conselhos de Justiça, 86% dos juízes brasileiros receberam auxílio-moradia em 2017 ― o que nos custou R$ 920 milhões (dinheiro seu, meu, nosso).

Mas a coisa não se resume ao Judiciário; a malversação de dinheiro público com essa regalia imoral ― imoral, note bem, só que não ilegal ― se estende também aos poderes Legislativo e Executivo. Todos os deputados federais e senadores têm direito a esse auxílio (de R$ 4.235 e R$ 5.500, respectivamente) quando não há imóvel funcional disponível, e o mesmo se aplica a servidores de médio e alto escalão e ministros de Estado que sejam transferidos de seu domicílio a trabalho (para essas “excelências, o teto é de R$ 7.733).

Observação: No setor privado, trabalhadores celetistas transferidos por determinação do empregador para cidades onde não tenham domicílio fazem jus ao auxílio-moradia ― que corresponde a um aumento salarial de 25%, mas como o valor é incorporado aos vencimentos do trabalhador (e não tratado como verba indenizatória, como no caso do funcionalismo), incidem sobre ele os tributos de praxe.

No âmbito do Executivo, a lei prevê que servidores de médio e alto escalão só pode fazer uso do auxílio (que supera R$ 7 mil no caso de ministros de Estado) quando não houver imóvel funcional à disposição. Hoje, ainda segundo o levantamento feito por Veja, há 7 imóveis funcionais vagos, mas Eliseu Padilha, Helder Barbalho, Sérgio Sá Leitão e Ilan Goldfajn preferem receber o auxílio em dinheiro. No Legislativo, 350 dos 513 deputados ocupam imóveis funcionais, embora 13 tenham casa própria em Brasília, mas, mesmo assim, não abrem mão da grana extra (como é o caso de Jair Bolsonaro).

No caso do Judiciário ― que provocou toda essa celeuma, até porque muitos deles têm imóvel próprio no município onde estão lotados ―, essa imoralidade nasceu de uma burla: em 2000, enquanto o governo negociava com o Congresso se um aumento do salário mínimo caberia no orçamento, o STF concedeu uma liminar determinando que todos os juízes que não estivessem trabalhando em suas cidades de origem receberiam até R$ 3 mil mensais a título de custeio de moradia (frise-se que, na época, o salário dos magistrados era de R$ 12 mil). CONTINUE LENDO EM https://fernandomelis.blogspot.com.br/2018/02/sobre-o-auxilio-moradia-e-abilolada.html