Por um resultado apertado, o STF decidiu que deputados e senadores têm a palavra final sobre medidas cautelares que implicam em afastamento do mandato. O julgamento durou mais de 10 horas ― só a redação da ementa levou mais de uma hora ― e foi decidido pelo volto de minerva.

A presidente da corte, visivelmente constrangida, disse, num voto confuso, concordar praticamente em tudo com o relator [Fachin], "menos em caso de afastamento de parlamentar", situação em que a decisão judicial deve ser "encaminhada ao Legislativo" ― encaminhada, não submetida, enfatizou Cármen Lúcia, para não dar a ideia de submissão do Judiciário ao Legislativo.

Aécio Neves deve estar comovido. De castigo em casa à noite, sem as baladas que o tornaram tão conhecido no Rio de Janeiro, o neto de Tancredo tem tudo para comemorar a decisão da mesma Corte que, um ano atrás, cassou Eduardo Cunha, e agora resolve que a palavra final em caso de afastamento, prisão ou qualquer medida cautelar imposta a parlamentares é do Congresso Nacional.

Pelo visto, vamos continuar amarrando cachorro com linguiça e dando às raposas a chave do galinheiro ― como na piada do cara que diz ao amigo: ― Lá em casa, quem manda sou eu, a última palavra é sempre minha: sim, senhora!

Além do apoio do presidente dos 3%, o tucano de asas negras contou a simpatia de Gilmar Mendes ― o indefectível ministro com cara de quem padece de prisão de ventre crônica e busca alívio soltando toda a merda retida na teia da Lava-Jato. Isso para não mencionar o apoio do PT, que chama Aécio de hipócrita e falso moralista, mas rechaça veementemente a decisão da 1ª Turma de punir o come-quieto e instiga o Senado a confrontar o Judiciário por “violar a autonomia e a soberania do Congresso, em flagrante desrespeito à Constituição”. É o clássico “efeito Smirnoff”, ou seja, hoje é Aécio, amanhã pode ser qualquer um deles ― até porque 1/3 do Senado é composto de investigados, denunciados e réus na Lava-Jato.
Tocante, não acham? Só falta agora algum senador travestido de Palocci endereçar uma carta aberta à CCJ da Casa, perguntando até quando os colegas vão fingir acreditar na honestidade de Aécio.

Depois dessa, resta-nos o quê? Apoiar o discurso do Gal. Mourão e torcer por uma intervenção militar?

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