Postagens atrás, eu escrevi que o presidente se apequenava mais a cada dia. Agora, pensando melhor, acho que só passou a mostrar seu tamanho verdadeiro. Mas sigamos adiante.

Passando ao que interessa: se Temer esperava calmaria nesta semana, deu com os burros n’água. Nuvens negras, prenúncio de nova borrasca, tingiram o horizonte do Planalto já na tarde da segunda-feira, com a notícia da prisão do deputado Geddel Vieira Lima.

Ex-integrante da folclórica “equipe de notáveis” do governo Temer até novembro passado, quando se demitiu do Ministério da Secretaria de Governo da Presidência da República devido a um desentendimento com Marcelo Calero (clique aqui para mais detalhes), o parlamentar baiano é amigo de Temer de longa data, talvez não tão íntimo quanto Eliseu Padilha ou Moreira Franco, mas próximo o bastante para que sua prisão e a perspectiva de uma delação deixem em pé os sempre bem penteados cabelos do amigo Michel.

A prisão de Geddel foi uma consequência da delação de Lúcio Funaro ― doleiro e operador de Eduardo Cunha ―, e a caca vai respingar por toda a cúpula do PMDB.

Embora seja um político tarimbado, com vários processos na justiça, e que, assim como Cunha, tenha estrutura para resistir durante algum tempo na prisão, mais hora, menos ora, Geddel vai acabar falando. Como se vê, a prisão de mais um “amigo” era tudo que o presidente mais precisava neste momento tão delicado.

Segundo o Sensacionalista, Geddel ― vulgo Carainho ― caiu da Secretaria de Governo de Michel Temer por que pressionou o ex-ministro da Cultura para liberar a construção de mais pavimentos num prédio em que tinha uma unidade no centro histórico Salvador, e agora, além de pressionar a família de Lúcio Funaro sobre a delação premiada do doleiro, já começou a pressionar o atual ministro da Justiça para que ele construa um presídio “no estilo resort, tipo aqueles da Escandinávia, já passou da hora do Brasil ter isso” em frente ao mar de Salvador. E como esperava ser preso já há alguns dias, fez um cursinho rápido para aprender a não tratar os colegas de cela como tratava cidadãos que o interpelavam no Twitter (veja aqui como era). Enquanto isso, os ministros do STF já jogam pedra, papel e tesoura para decidir quem tirará Geddel da cadeia primeiro.

Brincadeiras à parte, vamos acompanhar os fatos novos que certamente irão surgir. Para mal dos pecados de Temer, a possibilidade de eles favorecerem o governo é bastante remota.