No dia 6 de junho de 1944 ― que entrou para a história mundial como O DIA D” ―, o desembarque das forças aliadas na costa da Normandia deu início ao fim da Segunda Guerra Mundial. No âmbito tupiniquim, a próxima quarta-feira, 2 de agosto, será o DIA “D” do atual presidente ― o primeiro da nossa história a ser denunciado, ainda no exercício do cargo, por crime de corrupção passiva.

Na prévia do “DIA D” ― em se considerando como tal o último dia 13 ―, o parecer do deputado Sérgio Zveiter, relator da CCJ da Câmara favorável ao prosseguimento da investigação contra o presidente, foi jogado na lata do lixo. Quando o Planalto se deu conta de que levaria uma lavada na votação, a tropa de choque entrou em ação para articular a substituição da relatoria e de boa parte dos membros “hostis” ao governo. Segundo O GLOBO, entre programas e emendas parlamentares foram liberados R$ 15,3 bilhões, e voilà: o que era noite se fez dia, o que era água virou vinho, e o relatório do deputado Paulo Abi-Ackel, favorável ao sepultamento da denúncia contra Temer, foi aprovado por 41 votos a 24.

Observação: Essa votação não condena nem absolve o presidente, apenas decide se a denúncia apresentada contra ele pelo procurador-geral Rodrigo Janot será ou não apreciada pelo STF. Se for ― e isso depende de a oposição conseguir maioria qualificada de 2/3, ou seja, 342 dos 513 deputados ―, nossa mais alta Corte decidirá se acolhe ou rejeita a denúncia. Na primeira hipótese, Temer será afastado do cargo por 180 dias ou até a decisão final do Supremo, o que ocorrer primeiro. Na segunda, o assunto será encerrado ― ao menos até que Janot solte a próxima flecha, digo, a segunda das três denúncias que prometeu apresentar até 16 de setembro, quando será substituído no comando da PGR pelo hoje subprocuradora Raquel Dodge.

A maracutaia foi considerada legal e até “natural” à luz do regimento interno da Câmara e dos ditames da política tupiniquim. Mas isso não afasta o caráter de imoralidade da compra de votos de deputados que procedem como prostitutas na zona do baixo meretrício. Na CCJ, a vergonhosa maracutaia orquestrada pelo Planalto surtiu efeito. Na próxima quarta-feira, haverá o enfrentamento decisivo. Quanto mais isso nos custará?

Enquanto a equipe econômica peleja para manter o rombo orçamentário dentro da meta ― com um déficit de quase 140 bilhões ―, FrankensTemer reencarna Dilma, o Zumbi do Planalto, e faz “o diabo” para se manter no cargo. Com pífios 5% de aprovação popular, o presidente tem o desplante de promover o maior aumento no preço dos combustíveis da última década, colocando em risco a recuperação ― ainda que tímida ― da economia. E não me venham dizer que não existe margem para corte nas despesas (se você não leu, leia o que eu escrevi nesta postagem).  

Enquanto quarta-feira não chega, as especulações campeiam soltas: Janot vai fazer isso, o delator “x” vai contar aquilo, a tropa de choque do presidente vai, a oposição não vai, o Supremo vai e não vai, analistas políticos apregoam o fim do mundo a cada dez minutos e os congressistas gozam suas “merecidas férias de meio de ano”. Para eles não há crise, desemprego ou preocupação com o preço dos combustíveis. A maioria nem imagina quanto custa o litro da gasolina, do álcool ou do diesel. Muito menos o preço da passagem do ônibus ou do metrô.

Os cães ladram, a caravana passa e este governo mostra o que sempre foi: o segundo capítulo da calamidade que foi o governo Dilma. Como ressaltou o jornalista J.R. Guzzo em sua coluna na edição de Veja desta semana, Temer paga pelo que fez: há quinze anos, ou sabe-se lá quantos, ele vive para servir o ex-presidente Lula e o PT, e para servir-se de ambos, e agora os grandes amigos de ontem e inimigos de hoje, que lhe deram tanto o cargo de vice quanto o desastre que vinham gestando desde que assumiram o comando do país, em 2003, deixam claro a sua insolência que a vida é dura, que não dá para ser vice de Dilma e acabar bem.