Após vazamento do vídeo em que fez comentários “racistas”, o apresentador William Waack, 66 anos, foi afastado da bancada do Jornal da Globo, que comandou nos últimos 10 anos.

A trajetória do vídeo começou pelas mãos de Diego Pereira, que vazou com a ajuda de um amigo (também negro) em grupos de WhatsApp no início da tarde da última quarta-feira, e às 21h24 a emissora comunicou o afastamento do jornalista ― punição que tem tudo para se tornar um clássico em matéria de hipocrisia, oportunismo e conduta histérica.

A maior parte dos meios de comunicação do Brasil, com a Rede Globo disparada na frente, está se transformando num serviço de polícia do pensamento livre. É repressão pura e simples. Ou você pensa, fala e age de acordo com a atual planilha de ideias em vigor na mídia ou, se não for assim, você está fora. Os chefes da repressão não podem mandar as pessoas para a cadeia, como o DOPS fazia antigamente com os subversivos, mas podem lhes tirar o emprego.

É isso, precisamente, que o comando da Globo acaba de fazer com o jornalista William Waack, estrela dos noticiários da noite, afastado das suas funções por suspeita de racismo. Por suspeita, apenas ― já que a própria emissora não garante que ele tenha mesmo feito as ofensas racistas de que é acusado, numa conversa particular ocorrida um ano atrás nos Estados Unidos. Mas, da mesma forma como se agia no Comitê de Salvação Pública da velha França, que mandava o sujeito para a guilhotina quando achava que ele era um inimigo do povo, uma acusação anônima vale tanto quanto a melhor das provas. CONTINUE LENDO EM http://fernandomelis.blogspot.com.br/2017/11/willian-waak-o-inimigo-do-povo.html